Crise no turismo dos Estados Unidos afeta brasileiros e viajantes globais
Cidadãos brasileiros que planejam turismo nos Estados Unidos estão encontrando dificuldades crescentes para obter vistos e enfrentar os aeroportos americanos. Recentemente, viajantes relataram tempos de espera de até quatro horas em terminais aéreos, os mais longos em 24 anos de história da Administração de Segurança do Transporte (TSA). Essa situação foi agravada por uma paralisação parcial do governo dos EUA, iniciada em meados de fevereiro, que se tornou a mais prolongada da história do país.
Impacto da paralisação governamental e demissões na TSA
Como o Congresso não aprovou um orçamento para a agência aeroportuária, fiscais da TSA trabalharam sem receber por mais de um mês. Com isso, milhares suspenderam suas atividades e mais de 500 pediram demissão. Uma ordem presidencial assinada em 30 de março restaurou os pagamentos e visa reduzir os tempos de espera, mas as longas filas persistem como um dos muitos obstáculos no setor de viagens e turismo dos EUA.
Esse transtorno, com repercussões globais, surge em um momento crítico para os americanos. O país é um dos anfitriões da Copa do Mundo da FIFA e comemora o centenário da Rota 66 e os 250 anos de independência em 2026. Em um ano normal, tais eventos seriam motivos de celebração, mas o turismo nos EUA caiu 5,4% em 2025, enquanto o mundo registrou crescimento de 4%, segundo o Barômetro Mundial do Turismo.
Sentimento antiamericano e políticas impopulares
O aumento do sentimento antiamericano, impulsionado por políticas do presidente Trump, está levando turistas a reconsiderar planos de viagem. A presença de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) nos aeroportos, originalmente para suprir a falta de funcionários da TSA, tem gerado desconforto. Sandra Awodele, cidadã americana naturalizada da Nigéria, expressou preocupação: "É assustador, mudei meus planos devido à presença do ICE."
Além disso, uma proposta do governo Trump de 2025 exigiria que visitantes de 42 países livres de vistos fornecessem cinco anos de histórico de redes sociais para entrada, embora ainda não implementada. Evan Oshan, advogado de direitos civis, comenta: "A lei não mudou, mas a temperatura, sim."
Reações de viajantes internacionais e impacto econômico
Viajantes como Johan Konst, da Holanda, que costuma visitar os EUA várias vezes ao ano, estão se tornando mais seletivos. "A situação atual trata a Europa mais como oponente que aliado, me fazendo sentir menos bem-vindo", ele explica. Anita Shreider, da Alemanha, observa que conhecidos cancelaram viagens por "mal-estar geral" com as políticas americanas.
Operadores de turismo, como Paul Whitten da Nashville Adventures, destacam que preparação é chave: "Faça a papelada com antecedência e estabeleça tempo extra de viagem." Erik Hansen, da Associação de Viagens dos EUA, ressalta esforços para reduzir filas com processos alfandegários rápidos.
Desafios futuros e perspectivas
A TSA alerta que treinar novos funcionários leva de quatro a seis meses, podendo adiar soluções até após a Copa do Mundo. A paralisação do governo e a guerra EUA-Israel contra o Irã aumentam ansiedade e custos de passagens. Konst reflete: "Continuo amando os EUA, mas as políticas me fazem reconsiderar viagens." No momento, as discrepâncias entre garantias oficiais e desconforto dos viajantes permanecem sem solução, afetando a atratividade do turismo americano.



