Socorro ao BRB pode se tornar um novo Banco Pan para a Caixa Econômica Federal
Socorro ao BRB pode virar novo Banco Pan para a Caixa

Socorro ao BRB pode se tornar um novo Banco Pan para a Caixa Econômica Federal

Em ano eleitoral, as alianças políticas frequentemente geram custos elevados para o erário público. Um exemplo atual é a situação do Banco Regional de Brasília (BRB), controlado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB. O banco, que enfrenta sérias dificuldades financeiras, pode receber um socorro da Caixa Econômica Federal, em uma operação que evoca memórias do resgate do Banco Panamericano.

Contexto do problema do BRB

O BRB manteve negócios no mercado interbancário com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. No final de 2024, o banco começou a ficar com posições a descoberto e, em março de 2025, propôs ao Banco Central, sob a gestão de Gabriel Galípolo, comprar 68% das ações do Master. Anteriormente, na gestão de Roberto Campos Neto, já eram conhecidos os problemas do Master, que expandiu sua captação com base nas garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e cedeu R$ 12,2 bilhões em créditos ao BRB.

Renato Dias Brito, diretor de Organização do Sistema Financeiro Nacional, acompanhava a união, mas seu mandato expirou em dezembro de 2025. Em setembro, o Banco Central vetou a fusão após identificar fraudes em títulos precatórios e outros ativos. Sem liquidez, o Master foi liquidado pelo BC em 18 de novembro de 2025, um dia após anunciar um acordo de venda de R$ 3 bilhões com o grupo Fictor, supostamente em parceria com o Fundo Mubadala dos Emirados Árabes Unidos, não confirmada.

Em janeiro, o Fictor deu calote, teve R$ 150 milhões bloqueados e entrou em recuperação judicial, solicitando repactuação de R$ 4 bilhões em dívidas. Os escombros do Master já causaram prejuízos de mais de R$ 53 bilhões ao FGC.

Operação de socorro em gestação

Enquanto isso, no governo, gesta-se uma operação para socorrer o combalido BRB, que precisa de uma capitalização mínima de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo deixado pelo Master. A proposta envolve uma aliança da Caixa Econômica Federal com o BRB, onde a Caixa passaria a ser controladora do banco do Distrito Federal.

Paralelos com o caso do Banco Panamericano

Esta situação lembra fortemente a operação de socorro que a Caixa realizou ao Banco Panamericano, do grupo Silvio Santos, em dezembro de 2009. Na época, a CaixaPar comprou 49% do capital votante e 35,54% do capital total por R$ 739,2 milhões. No entanto, o rombo do Pan era muito maior do que o alegado, com gestores não dando baixa contábil em créditos inadimplentes, falsamente engordando o ativo.

O Pan se tornou um sorvedouro de dinheiro, quase tragando o patrimônio de Silvio Santos, que entregou ativos como o Baú da Felicidade e deu o controle do SBT e da Jequiti em garantia a um empréstimo de R$ 450 milhões do FGC. Apesar de socorros de liquidez, a necessidade de mais aportes se materializou em 2010, com a CaixaPar fazendo um pagamento residual de R$ 234,2 milhões em julho.

Em setembro de 2010, Silvio Santos relatou a situação desesperadora ao presidente Lula, com créditos junto ao FGC somando R$ 2,5 bilhões. Um grande acordo foi feito às vésperas das eleições, envolvendo disputas políticas. Após descobrir um rombo extra de R$ 1,5 bilhão em novembro de 2020, a CaixaPar nomeou quase todos os diretores do Pan.

Em janeiro de 2011, o BTG-Pactual, de André Esteves, entrou como novo sócio, ficando com 50,8% do controle ao pagar R$ 450 milhões emprestados pelo FGC. Recentemente, em janeiro de 2026, o BTG fez emissão de capital para liquidar dívidas do Banco Ban, incorporado integralmente. A Caixa gastou muito no salvamento e resgatou suas ações por menos de R$ 350 milhões, perdendo cerca de R$ 500 milhões a preços históricos.

Implicações políticas e riscos

A ideia de federalizar o BRB cheira mal, segundo analistas. A operação foi sugerida ao governo Lula pelo Centrão e pode estar ligada a alianças políticas com a campanha de Lula, envolvendo o MDB, com Ibaneis Rocha e Michel Temer como interlocutores de Daniel Vorcaro, e o PP.

O PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira, do Piauí, tem expoentes como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira e o senador Renan Calheiros. Ciro Nogueira tentou elevar a garantia do FGC para R$ 1 milhão em 2024. Há também influências do Centrão da Paraíba, terra do presidente da Câmara Hugo Motta e do presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira.

Carlos Vieira, no cargo desde o final de 2023 por influência do PP, foi diretor da Financeira do BRB e tem contatos em ambos os lados nas discussões para fusão acionária. Fábio Faria, diretor do SBT e ex-ministro, também é do PP-RN, destacando os laços políticos envolvidos.

Em resumo, o possível socorro ao BRB representa um risco financeiro significativo, com ecos do caso do Banco Panamericano, onde a Caixa sofreu grandes perdas. As alianças políticas em ano eleitoral podem custar caro ao erário, exigindo cautela e transparência nas decisões.