O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de participar, na segunda-feira (4), de um jantar de adesão oferecido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mesmo com a data tendo sido definida para acomodar a agenda do Palácio do Planalto. A justificativa oficial foi a de que, devido a uma recente cirurgia na cabeça, o petista deveria evitar situações que pudessem provocar suor excessivo. No entanto, aliados interpretaram a ausência como uma expressão pública das críticas reservadas que Lula tem feito ao partido que ajudou a fundar.
Segunda ausência em menos de duas semanas
Esta foi a segunda vez que Lula faltou a um evento do PT em menos de duas semanas. No dia 26 de abril, o presidente também não compareceu ao encerramento do congresso petista, tendo enviado apenas uma mensagem de vídeo. Na gravação, Lula afirmou: "Nós temos que mostrar com muita clareza, mas uma proposta séria, que seja coisa factível, que a gente possa executar. Porque senão a gente fica prometendo e o cara pergunta 'pô, por que vocês não fizeram?'"
Na noite de segunda-feira, Lula não foi o único ausente. Apenas três ministros do governo prestigiaram a confraternização do PT. Em conversas reservadas, o presidente repete que os petistas precisam fazer a sua parte para uma eleição considerada difícil. Segundo relatos, Lula queixa-se da falta de combatividade do partido, que estaria cada vez mais concentrado em discussões internas, como a cota de candidatos no fundo partidário.
Insatisfação com a máquina partidária
Lula também se ressente da ausência de uma ação mais enérgica dos petistas nas redes sociais e nas ruas. Ele chegou a cobrar detalhes da estratégia de comunicação montada pelo PT. Esse mal-estar reflete um acúmulo de dissabores do presidente com integrantes da direção partidária. No ano passado, Lula foi desafiado por uma ala contrária à eleição do atual presidente do partido, Edinho Silva. Em março do ano passado, o presidente foi alertado sobre o risco de derrota de Edinho na eleição partidária.
Embora tenha em Edinho uma pessoa de sua confiança, e apesar da escolha de um secretário de comunicação, Éden Valadares, alinhado com o ministro Sidônio Palmeira (Secom), Lula não mantém relação com todos os integrantes da chamada máquina partidária.
Manifesto e documentos
Para o congresso partidário, Lula acompanhou de perto a redação do manifesto da sigla. Ele sugeriu a exclusão de propostas controversas, como reformas do sistema financeiro. Sob orientação do presidente, a cúpula do PT decidiu retirar da pauta do encontro temas polêmicos que poderiam ampliar o desgaste às vésperas da campanha. Contudo, além do manifesto, foram elaborados dois outros textos, o que também contrariou Lula, que defendia a divulgação de apenas uma redação. Nenhum dos documentos foi publicado até agora.
Críticas à atuação no Congresso
Em suas conversas, Lula também reclama da falta de combatividade das lideranças do governo e do PT no Congresso Nacional. Segundo interlocutores, o presidente afirma que o perfil dos petistas que ocupam esses postos é muito brando para a disputa eleitoral que se aproxima. Nesse sentido, não está descartada a substituição de líderes do governo no Congresso, especialmente após a rejeição, no Senado, da indicação do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto isso, Lula prioriza o fim de investigações comerciais, o combate ao narcotráfico e deve tratar de questões relacionadas ao Irã em uma conversa com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo brasileiro quer encerrar investigações dos EUA sobre o Pix, o etanol e outras práticas comerciais. A reunião também deve abordar a guerra no Irã, a cooperação contra o crime organizado e a tentativa de evitar novas tarifas contra produtos brasileiros.



