Lula diz a Trump que combate ao crime exige alternativas econômicas e não só militares
Lula: combate ao crime exige alternativas econômicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o enfrentamento ao crime organizado e ao tráfico de drogas exige a superação de temas considerados tabus e a adoção de uma estratégia internacional baseada em alternativas econômicas, e não apenas em ações militares. A declaração foi feita ao comentar conversa com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.

Lula defende alternativas econômicas

“Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece alternativa de outro produto para que alguém possa plantar a ganhar dinheiro? E nós temos que incentivar o plantio de outra coisa e sermos os compradores para que as pessoas possam sobreviver. Enquanto houver gente necessitada de recursos e consumidores, não vamos parar de ter o mundo cheio de droga por tudo quanto é lado”, disse o presidente.

Segundo Lula, ele e Trump não discutiram a situação das facções brasileiras serem declaradas como grupos terroristas, possibilidade levantada nos Estados Unidos. “Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump, partindo dele falar de alguma facção no Brasil”, afirmou Lula.

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Críticas à abordagem militar

Lula destacou a Trump que historicamente os Estados Unidos falam em combater o crime organizado e o tráfico de drogas por meio da instalação de bases militares em outros países, mas sem atacar a raiz do problema. Para o presidente, não é possível exigir que países deixem de plantar ou fabricar drogas sem oferecer opções econômicas viáveis à população local. Na avaliação de Lula, enquanto houver pessoas em situação de necessidade e mercado consumidor, o tráfico de drogas continuará existindo.

Proposta de grupo de trabalho internacional

Durante a conversa, Lula disse a Trump que o Brasil está disposto a ajudar a construir um grupo de trabalho internacional para o combate ao crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e, eventualmente, do mundo inteiro. Para ele, o enfrentamento do problema não pode ser pautado pela hegemonia de um país sobre os outros, mas por uma responsabilidade compartilhada.

Experiência brasileira e responsabilidade compartilhada

Lula também ressaltou a experiência brasileira no tema. Citou a atuação da Polícia Federal e o histórico do país no combate ao tráfico de drogas e de armas. Segundo o presidente, parte das armas que circulam no Brasil tem origem nos Estados Unidos, assim como esquemas de lavagem de dinheiro que envolvem estados americanos. “Se a gente souber disso e colocar a verdade em torno da mesa, pode resolver em décadas o que não se resolveu em séculos”, afirmou. Na avaliação do presidente, um esforço coordenado, transparente e multinacional pode produzir resultados concretos em menos tempo do que as estratégias adotadas até agora.

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