O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou grande satisfação após uma reunião de quase três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro abordou temas considerados "tabus" nas relações bilaterais, como combate ao crime organizado, comércio e exploração de minerais estratégicos. Lula anunciou a criação de grupos de trabalho para aprofundar a cooperação nessas áreas.
Diálogo produtivo e amistoso
O chanceler Mauro Vieira descreveu o clima da reunião como "positivo e amistoso". As conversas começaram no escritório presidencial e continuaram durante o almoço no gabinete. Cada membro das comitivas brasileira e americana pôde abordar temas de suas respectivas pastas, resultando em um "intercâmbio de ideias muito produtivo", segundo Vieira.
Lula destacou a importância do encontro para consolidar a relação democrática entre Brasil e Estados Unidos. "Nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica do Brasil com os Estados Unidos", afirmou, lembrando que as maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo.
Combate ao crime organizado
Um dos principais pontos discutidos foi o combate ao crime organizado. Lula criticou a abordagem militarizada dos EUA, que frequentemente envolve a instalação de bases militares em outros países. Ele defendeu a criação de alternativas econômicas para as nações afetadas pelo narcotráfico, como o incentivo ao plantio de culturas alternativas e a garantia de compra desses produtos.
"Temos que incentivar o plantio de outras coisas e sermos os compradores, para que as pessoas possam sobreviver", declarou Lula. Ele propôs a formação de um grupo de trabalho com países da América do Sul, América Latina e do mundo para fortalecer o combate ao crime, aproveitando a expertise brasileira.
Comércio e tarifas
Na área econômica, foi anunciado um grupo de trabalho com representantes de agências federais do Brasil e dos EUA para buscar o fim das sobretaxas sobre produtos brasileiros. Lula destacou que a média de impostos cobrados dos EUA na alfândega brasileira é de apenas 2,7%, mas o governo Trump mantém o "tarifaço" devido a taxas específicas que superam essa média.
"Criaremos um grupo de trabalho que, em 30 dias, apresentará uma proposta para batermos o martelo. Quem estiver errado vai ter que ceder", afirmou Lula, enfatizando a necessidade de prazos e metas para evitar reuniões infindáveis.
Terras raras e minerais estratégicos
Outro tema abordado foi a exploração de terras raras. Lula informou a Trump sobre o projeto de lei aprovado pela Câmara que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com um fundo garantidor de R$ 5 bilhões para estimular projetos e crédito tributário. A medida trata a exploração de minerais críticos como questão de soberania, com objetivo de compartilhar o potencial do país com investidores.
"O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem veto ou assunto proibido. Só não abrimos mão da nossa democracia e da nossa soberania", disse Lula.
Clima descontraído
Lula contou que fez Trump rir em vários momentos, inclusive ao fazer uma piada sobre a política de vistos dos EUA. Quando Trump perguntou sobre a seleção brasileira de futebol para a Copa do Mundo, Lula respondeu: "Espero que você não venha anular um visto dos nossos jogadores, porque vamos vir aqui para vencer". O presidente americano riu, segundo Lula, que concluiu: "Saio muito satisfeito, foi uma reunião importante".



