O Ibovespa registrou queda superior a 2% nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, impactado por fatores internacionais e domésticos. Os investidores monitoram as negociações entre Estados Unidos e Irã para um possível cessar-fogo, a reabertura do Estreito de Ormuz e o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump.
Petróleo em queda pressiona Petrobras
O mercado de petróleo operou em baixa após a agência AFP noticiar que o Irã estuda o plano apresentado por Washington para encerrar o conflito. Teerã pretende comunicar seus pontos de vista ao Paquistão, que media as negociações. A perspectiva de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do óleo e gás transportados por via marítima, aliviaram os preços do Brent. Apesar de o barril ainda superar os 100 dólares, a desvalorização afetou as ações da Petrobras, que têm grande peso na bolsa brasileira.
Balanço do Bradesco frustra expectativas
Outro fator que contribuiu para a queda do Ibovespa foi o balanço do primeiro trimestre do Bradesco. O resultado veio abaixo do esperado, com deterioração marginal da qualidade dos ativos e queda nos níveis de cobertura. Esses efeitos foram compensados apenas parcialmente por itens menos recorrentes no resultado financeiro e em seguros.
Encontro Lula-Trump gera expectativas
No cenário doméstico, os presidentes Lula e Donald Trump se reuniram a portas fechadas, seguido de um almoço com as respectivas comitivas. Trump classificou o encontro como “muito produtivo”, mas os investidores aguardam resultados concretos. Segundo Eduardo Levy, economista e sócio da LB Endow, o mercado mostrou-se apático, com mais expectativas do que certezas. “Qualquer notícia sobre um possível acordo já foi lida como narrativa: muita informação e pouca ação. Somente quando um acordo estiver em prática, afetando balanças e movimento de recursos, será possível dizer que houve algo acionável”, afirma.
A combinação desses fatores levou o Ibovespa a fechar o pregão com forte queda, refletindo a cautela dos investidores diante de incertezas geopolíticas e econômicas.



