O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou os detalhes de sua conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca. Lula afirmou que alertou Trump sobre a perda de espaço dos EUA no Brasil, que foi ocupado pela China. "Disse ao presidente Trump que é importante que os Estados Unidos voltem a ter interesse nas coisas do Brasil. Por exemplo, eu disse para ele que muitas vezes nós fazemos licitações internacionais para construir uma rodovia ou uma ferrovia, e os Estados Unidos não participam; quem participa são os chineses", declarou Lula.
Contexto histórico e geopolítico
O presidente brasileiro lembrou que os Estados Unidos foram o maior parceiro comercial do Brasil no século passado. No entanto, tanto os EUA quanto a Europa deixaram a América Latina de lado para focar em outras regiões, movimento que Lula disse estar sendo revisto, como no acordo entre o Mercosul e a União Europeia. "Eu disse para ele que, durante um bom tempo, os Estados Unidos deixaram de olhar para a América Latina, só olhavam com o olhar de combate ao narcotráfico. A União Europeia deixou de olhar para a América Latina por conta da conquista do leste europeu e também deixou de olhar para a África. Agora, as pessoas perceberam a importância outra vez da América Latina neste mundo conturbado", afirmou.
Reunião bilateral
O encontro entre Lula e Trump ocorreu na quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington. Esta foi a segunda reunião presencial entre os líderes. A primeira aconteceu em outubro do ano passado, na Malásia, após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades brasileiras relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, Lula e Trump mantiveram contato por telefone e declarações públicas. O telefonema mais recente foi na última sexta-feira (1º), quando Lula recebeu uma ligação de Trump que durou cerca de 40 minutos. Durante a conversa, Lula se colocou à disposição para viajar aos EUA e realizar o encontro presencial.
A agenda do encontro foi classificada como reunião de trabalho, sem status de visita de Estado formal. Lula aproveitou a oportunidade para reforçar a necessidade de os EUA retomarem investimentos no Brasil, destacando que a China tem ocupado esse espaço em setores estratégicos como infraestrutura.



