Gilson Machado anuncia desfiliação do Partido Liberal para disputar vaga no Senado
O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado, oficializou sua saída do Partido Liberal (PL) nesta quarta-feira (21). Em carta divulgada publicamente, o político pernambucano comunicou sua decisão de trocar de legenda para concorrer a uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. A nova agremiação partidária em que ele se filiará ainda não foi confirmada.
Divergências internas motivam mudança partidária
Machado explicou que sua desfiliação ocorre após divergências com a direção estadual do PL em Pernambuco, especialmente com o grupo político liderado por Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes. O ex-ministro afirmou que continua sendo o nome apoiado por Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado, mas não é a escolha da cúpula partidária estadual.
Em sua carta, endereçada à direção nacional do PL e "aos conservadores e liberais do país", Machado declarou: "Continuo sendo o nome defendido pelo Presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém, não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão. Dessa forma sigo minha caminhada alinhada aos valores do Presidente Bolsonaro".
Contexto político e restrições de comunicação
O político revelou que não pôde comunicar pessoalmente sua decisão a Jair Bolsonaro, que cumpre pena após condenação por tentativa de golpe em Brasília, devido a restrições de deslocamento e por estar impedido de sair do Recife. No entanto, Machado afirmou ter conversado sobre a mudança partidária com o senador Flávio Bolsonaro, que já declarou sua candidatura às eleições presidenciais de 2026.
A dissidência interna no PL pernambucano começou ainda em 2024, quando Gilson Machado foi candidato a prefeito do Recife. Ele terminou a campanha em segundo lugar, atrás do prefeito João Campos (PSB), que foi reeleito. Na ocasião, Machado obteve mais de 129 mil votos, representando quase 14% dos votos válidos.
Trajetória política e recentes controvérsias
Gilson Machado, de 57 anos, possui uma trajetória política marcada por cargos no governo federal e disputas eleitorais:
- Foi presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) e secretário de Ecoturismo e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente
- Em 2022, candidatou-se ao Senado por Pernambuco, ficando em segundo lugar com 1,3 milhão de votos, atrás da ex-deputada Teresa Leitão (PT)
- Durante a campanha municipal de 2024, teve sua propaganda eleitoral suspensa três vezes após denúncias de irregularidades em creches municipais
- Antes da política, atuou como músico, sanfoneiro da banda Brucelose e proprietário de pousadas e hotéis
Recentemente, em junho de 2025, Machado foi preso por suspeita de tentar ajudar Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, a obter um passaporte português. Ele foi solto no mesmo dia por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A desfiliação de Gilson Machado do PL ocorre em um momento de reconfiguração das forças políticas alinhadas ao bolsonarismo em Pernambuco, com implicações para as eleições senatoriais deste ano e para o equilíbrio interno do partido no estado.