O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem na quinta-feira (7) defendendo que o fim da escala 6x1 — modelo em que se trabalha seis dias por semana com um dia de folga — colocaria o Brasil "em linha com grande parte do mundo ocidental". A proposta, apoiada pelo governo brasileiro, está em discussão no Congresso Nacional.
Contexto da proposta
Segundo o artigo intitulado "Lula propõe o fim da semana de trabalho de seis dias no Brasil", a medida beneficiaria diretamente 15 milhões de trabalhadores formais que atualmente cumprem a escala 6x1. Outros 37 milhões seriam impactados pela redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial, conforme cálculos do governo.
O Financial Times observa que, enquanto alguns países ocidentais já debatem uma semana de quatro dias, o Brasil busca reduzir de seis para cinco dias a carga horária de milhões de empregados. "A medida colocaria o país em linha com grande parte do mundo ocidental, onde a semana de trabalho foi encurtada à medida que a maior produtividade e os salários mais altos possibilitaram mais tempo livre", afirma a reportagem.
Comparações internacionais
O jornal destaca que este mês marca o centenário da Ford, primeira grande empregadora dos EUA a conceder fim de semana de dois dias. Dados do Our World in Data mostram que brasileiros trabalharam, em média, pouco menos de 2 mil horas em 2023 — cerca de 50% a mais que os alemães (1.335 horas).
Desafios políticos e econômicos
A aprovação da proposta, no entanto, é incerta. O legislativo brasileiro, dominado por conservadores, tem imposto derrotas a Lula, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. Opositores argumentam que o plano pode prejudicar a economia, aumentando custos para as empresas. A Fecomércio-SP estima que a redução para 40 horas semanais elevaria custos por hora em 10%. Já o Ipea aponta que os custos seriam suportáveis, sem evidências de perda de empregos.
Apesar do forte crescimento do PIB e do baixo desemprego, a popularidade de Lula caiu, atribuída à inflação e ao endividamento familiar. O FT sugere que a pauta pode dar a Lula vantagem eleitoral sobre seu principal rival, Flávio Bolsonaro, mesmo que não seja aprovada antes das eleições.
Tramitação no Congresso
No fim de novembro, duas propostas para acabar com a escala 6x1 avançaram em comissões. Agora, serão analisadas por uma comissão especial e, se aprovadas, podem seguir para votação na Câmara e no Senado.



