Diretor da AtlasIntel analisa ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais
Flávio Bolsonaro avança e normaliza candidatura, diz analista

Análise detalha ascensão de Flávio Bolsonaro e cenário eleitoral fragmentado

O crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais está sendo interpretado por analistas políticos como um processo de normalização de sua candidatura, e não como uma surpresa inesperada. Segundo avaliação apresentada no programa Ponto de Vista, o avanço recente representa um retorno ao patamar histórico do bolsonarismo no eleitorado brasileiro, após um início de campanha marcado por incertezas e estratégias pouco articuladas.

Início atípico e correção de rota

Yuri Sanches, diretor de risco político da consultoria AtlasIntel, destacou que o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro ocorreu de forma diferente dos padrões habituais do movimento político liderado por seu pai, Jair Bolsonaro. Houve dúvidas iniciais sobre a real disposição do senador em disputar a Presidência, explicou Sanches, acrescentando que sinais de uma possível candidatura-teste e decisões tomadas às pressas contribuíram para um desempenho inicial abaixo das expectativas.

O analista apontou que ruídos internos, inclusive dentro da própria família Bolsonaro, e movimentos reativos a disputas envolvendo aliados políticos dificultaram uma largada mais sólida. Esses fatores explicam por que o senador começou sua trajetória eleitoral abaixo do piso histórico estimado para o bolsonarismo, que tradicionalmente oscila entre 25% e 30% do eleitorado nacional.

Processo de normalização eleitoral

Para Yuri Sanches, o crescimento registrado nas últimas semanas não é surpreendente. O avanço reflete um processo de normalização da candidatura, afirmou. À medida que o eleitorado passa a enxergar Flávio Bolsonaro como o nome consolidado que representa diretamente o campo bolsonarista, os índices de intenção de voto tendem a se ajustar a um patamar mais natural para esse segmento político.

O movimento recente sugere que o senador começa a solidificar sua presença no primeiro turno como principal representante do bolsonarismo. Embora tenha sido rápido, esse avanço é visto como uma correção de rota após um início atípico, mais do que como uma virada inesperada no cenário eleitoral brasileiro.

Cenário fragmentado na direita

A análise apresentada no programa Ponto de Vista, com participação também do editor José Benedito da Silva, abordou ainda a complexidade do campo oposicionista. Segundo Sanches, um cenário com dois candidatos fortes da direita simultaneamente – especificamente Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro – é considerado pouco provável.

O governador de São Paulo, que caminha para uma reeleição confortável em seu estado, tende a preservar sua relação com o bolsonarismo e evitar movimentos que possam gerar desgaste com a base política de Jair Bolsonaro. Tarcísio tem demonstrado cuidado estratégico em suas articulações nacionais, observou o analista.

Alternativas e fragmentação oposicionista

Yuri Sanches avalia que as candidaturas paralelas à de Flávio Bolsonaro com maiores chances de surgimento viriam de outros polos da direita e do centro-direita. Nomes como Romeu Zema e Ratinho Júnior aparecem como alternativas mais plausíveis, especialmente diante do interesse declarado do PSD em ter um candidato próprio à Presidência da República.

Essa fragmentação da oposição ajuda a explicar, segundo o analista, a resiliência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas. Lula mantém percentuais próximos de 48% ou 49% das intenções de voto em diferentes cenários eleitorais. A entrada ou saída de candidatos da direita não reduz esse patamar, mas redistribui os votos oposicionistas entre vários nomes.

Disputa interna na oposição

O movimento observado nas pesquisas indica que a principal disputa não ocorre apenas entre a oposição e o governo Lula, mas também dentro do próprio campo oposicionista. A questão central é quem será capaz de encarnar, de forma mais convincente, o desejo de mudança de parte do eleitorado brasileiro, explicou Sanches.

Nesse contexto, o crescimento de Flávio Bolsonaro sinaliza força política, mas também evidencia o desafio de unificar um campo ainda fragmentado. A capacidade de consolidar liderança e atrair diferentes segmentos da direita e centro-direita será determinante para definir quem enfrentará Lula em um eventual segundo turno.

A análise completa foi apresentada no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com participação do diretor de risco político da AtlasIntel, Yuri Sanches, e comentários do editor José Benedito da Silva. O conteúdo oferece um panorama detalhado das dinâmicas que estão moldando o cenário eleitoral brasileiro para as próximas eleições presidenciais.