A crise enfrentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já começa a provocar movimentações silenciosas no campo da direita para a eleição presidencial de 2026. No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, afirmou que setores da oposição avaliam alternativas caso a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perca viabilidade política nos próximos meses.
Por que Caiado e Zema ainda não convenceram a direita?
Segundo José Benedito, os nomes mais tradicionais da direita — como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema — ainda não conseguiram consolidar apoio suficiente entre os partidos do Centrão e do eleitorado conservador. “Hoje eu não vejo quem possa crescer o bastante para se tornar uma alternativa consistente”, afirmou. Durante o debate, Marcela lembrou que Caiado precisou deixar o União Brasil e migrar para o PSD para viabilizar sua candidatura presidencial. Na avaliação de José Benedito, tanto Caiado quanto Zema enfrentam dificuldades para construir unidade no campo conservador. “Não consigo imaginar o Zema atraindo todas essas legendas do Centrão”, afirmou. Segundo ele, o mesmo problema se aplica ao governador goiano. “Também não consigo imaginar o Caiado atraindo essas legendas”, disse. O editor ponderou, no entanto, que a evolução da crise de Flávio ainda pode alterar esse cenário até as convenções partidárias. “Até julho tem muita água ainda para passar por cima e por baixo dessa ponte”, afirmou.
A direita corre risco de abrir espaço para outsiders?
José Benedito afirmou que a fragilidade das candidaturas tradicionais da oposição pode abrir espaço para nomes considerados fora do eixo político convencional. “Na política a gente sabe que não existe vácuo”, disse. O editor citou como exemplo recente o lançamento do nome de Joaquim Barbosa como possível presidenciável. “O nome dele já foi especulado em 2018 e 2022, mas pode ser uma novidade na eleição”, afirmou. Segundo José Benedito, outro personagem que começa a chamar atenção nas pesquisas é o empresário e ativista Renan Santos, cofundador do MBL. Na pesquisa AtlasIntel mais recente, Renan apareceu numericamente à frente de Caiado e Zema. “Ele pontuou 6%. Pontuou mais que Ronaldo Caiado e mais que Romeu Zema”, destacou.
Renan Santos pode crescer na disputa?
Para José Benedito, o desempenho do líder do MBL nas pesquisas indica que existe espaço para candidaturas alternativas dentro do eleitorado de direita, especialmente entre os mais jovens. Ainda assim, o editor ponderou que transformar esse desempenho inicial em uma candidatura competitiva nacionalmente é um desafio muito maior. “Hoje eu não vejo quem possa atrair todos os partidos de direita e de centro-direita para fazer uma oposição consolidada contra Lula”, disse. Segundo ele, experiências recentes mostram que nomes lançados fora da polarização tradicional nem sempre conseguem ganhar tração eleitoral. José Benedito citou casos como Aldo Rebelo e Augusto Cury, que chegaram a ser especulados para a disputa, mas não avançaram nas pesquisas.
Bolsonaro ainda pode definir a eleição da direita?
Mesmo diante da crise envolvendo Flávio, José Benedito afirmou que Jair Bolsonaro continua sendo o principal ativo eleitoral da direita brasileira. “O ex-presidente é dono de boa parte dos votos da direita”, afirmou. Na avaliação do editor, caso Flávio perca condições políticas de disputar a eleição, Bolsonaro ainda pode transferir parte relevante desse capital eleitoral para outro nome. “O nome que Bolsonaro apontar já larga com 20% ou 30% de intenção de voto”, disse. Ainda assim, ele ressaltou que o cenário segue indefinido e dependerá diretamente da evolução da crise envolvendo o senador. “Está tudo muito prematuro ainda”, afirmou. “É preciso ver para onde vai essa crise envolvendo o Flávio.”
Existe espaço para uma candidatura competitiva contra Lula?
José Benedito avaliou que a oposição ainda possui espaço político relevante para crescer, principalmente diante dos índices de desaprovação do governo Lula. “Mais da metade da população desaprova o atual governo”, afirmou. Segundo ele, isso demonstra que existe ambiente eleitoral para uma candidatura competitiva de oposição. Ao mesmo tempo, o editor ressaltou que a fragmentação da direita e a ausência de consenso em torno de um nome dificultam a consolidação desse espaço político. “As possibilidades ficam cada vez mais limitadas”, disse.



