O assessor financeiro Frederico Goz Biagi, acusado de aplicar um golpe de R$ 21 milhões contra clientes e sócios de um escritório de assessoria de investimentos em Ribeirão Preto (SP), será ouvido pela Justiça Federal nesta terça-feira (26). Biagi está preso desde dezembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Stop Loss. Além do réu, a Justiça ouvirá testemunhas de defesa e de acusação na audiência de instrução. A expectativa das vítimas é que ele seja condenado pela fraude e pelo desvio dos valores para benefício próprio.
A investigação apontou que Biagi se aproveitou até de relacionamentos amorosos e do perfil de galanteador para tirar vantagem. Uma das vítimas é uma ex-namorada dele. A defesa de Biagi não comentou o assunto até a última atualização desta matéria.
Como as vítimas eram escolhidas e como o suspeito agia?
Frederico Goz Biagi atuou entre 2020 e 2023 em um escritório de assessoria de investimentos. Em maio de 2023, chegou a constituir uma empresa. De acordo com a Polícia Federal, o suspeito selecionava vítimas com base no poder econômico delas e chegou, inclusive, a se relacionar com mulheres para adquirir a confiança delas. Para mantê-las enganadas, conforme a PF, o assessor fraudava documentos e inseria informações falsas no sistema, dificultando o acesso às informações.
Ao deflagrar a operação em 2025, o delegado Marcellus Henrique de Araújo explicou que Biagi era bem relacionado e se utilizou dessa rede de relacionamentos para expandir sua atuação. "O investigado conseguiu ir construindo relações dentro da sociedade de Ribeirão Preto, com pessoas economicamente em uma situação melhor, digamos assim, e isso permitiu que (...) houvesse uma abertura para se estabelecer a confiança necessária que permitisse que, ao longo do tempo, essas ações dele se estabelecessem. Ao mesmo tempo que essas pessoas ficavam sob essa condição de confiança, elas também acabavam indicando outras pessoas", disse.
As investigações apontaram que Biagi utilizava os valores dos investidores em proveito próprio, realizando operações de day trade (iniciadas e finalizadas no mesmo dia), que resultaram na perda dos recursos investidos.
Crimes e fraudes
Preso preventivamente no CDP de Ribeirão Preto, ele responde por pelo menos seis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional: gestão fraudulenta, apropriação de recursos de investidor, manutenção de investidor em erro mediante omissão ou falsidade, fraude à fiscalização com inserção de informações falsas em documentos, inserção de elementos falsos em demonstrativos contábeis e contabilidade paralela.
Segundo a PF, a operação de Biagi era tão convincente que os clientes chegaram a declarar ganhos sobre os investimentos à Receita Federal na declaração do Imposto de Renda. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a fraude foi sustentada por uma série de documentos falsificados e com erros grosseiros, elaborados com o intuito de manter os investidores em erro e conferir aparência de legalidade às operações.
A acusação alega que Biagi conseguiu criar uma conta em um banco digital, sem a assinatura dos demais sócios do escritório, para onde transferiu cerca de R$ 11 milhões investidos por eles. Ainda segundo o MPF, ele se valeu de notas de corretagem falsificadas para simular lucros milionários inexistentes e até mesmo da criação de um e-mail de uma funcionária fictícia de uma grande corretora para justificar a falta da senha para que os sócios pudessem acompanhar relatórios.



