Amazônia Que Eu Quero 2026 debate democracia digital e poder do voto nas eleições
Amazônia Que Eu Quero 2026 debate democracia digital e voto

Amazônia Que Eu Quero 2026 foca no poder do voto e desafios da era digital nas eleições

O projeto "Amazônia Que Eu Quero 2026" tem como ponto de partida fundamental o poder do voto, abordando neste ano o tema "Democracia na era digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral". A iniciativa, desenvolvida pela Fundação Rede Amazônica, propõe uma reflexão profunda sobre como as ferramentas digitais contemporâneas estão moldando a participação política e a escolha dos representantes públicos na região amazônica.

Objetivos do projeto e cenário eleitoral no Amazonas

Segundo Mariane Cavalcante, diretora executiva da fundação, o projeto possui um objetivo claro: fortalecer a capacidade de decisão do cidadão através do acesso à informação qualificada. "O projeto tem um objetivo muito simples: trazer informação para a população para que ela tenha capacidade crítica para eleger seus gestores públicos", afirmou Cavalcante. Phelippe Daou Junior, CEO do Grupo Rede Amazônica, complementa que a iniciativa promove debates com especialistas, formadores de opinião e sociedade civil, resultando em um caderno temático disponibilizado em plataformas digitais.

No Amazonas, o debate ocorre em um contexto específico: o estado possui mais de 2,8 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, quando serão escolhidos governador, senador, deputados federais e estaduais. Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) revelam que 1.445.895 eleitores estão em Manaus e 1.309.521 no interior. Entretanto, a participação eleitoral ainda enfrenta desafios significativos.

Abstenção eleitoral e estratégias de combate

Nas eleições de 2022, a abstenção superou 20% nos dois turnos. No primeiro turno, 532.701 pessoas não compareceram às urnas (20,12% do eleitorado apto). No segundo turno, esse número aumentou para 578.630 eleitores (21,85%). Hernan Gonçales, coordenador de auditoria interna do TRE-AM, explica que fatores geográficos contribuem para essa realidade. "Nosso percentual de abstenção tem sido um pouco acima da média nacional. Isso ocorre em razão das dificuldades de locomoção, principalmente nos municípios do interior, onde temos eleitorado ribeirinho e indígena", destacou.

Para enfrentar esse problema, o TRE-AM tem ampliado pontos de atendimento e promovido mutirões na capital e no interior, com foco na regularização do cadastro eleitoral e na conscientização sobre a importância do voto como instrumento democrático.

Tecnologia como aliada e desafio na democracia

Dentro desse contexto, o "Amazônia Que Eu Quero 2026" propõe discutir como a tecnologia pode aproximar o eleitor do processo democrático, mas também quais cuidados são necessários. Denise Coêlho, advogada especialista em direito eleitoral, afirma que o uso de celulares e aplicativos permite que o cidadão atue como fiscal das eleições. "Grande parte da população possui um telefone com câmera. É possível registrar e enviar ao tribunal situações suspeitas para análise. O cidadão pode ter um papel mais ativo", explicou.

Por outro lado, ela alerta para o uso responsável das ferramentas digitais, especialmente durante o período eleitoral, incluindo recursos de inteligência artificial que podem disseminar desinformação. O projeto enfatiza a necessidade de equilíbrio entre inovação tecnológica e proteção da integridade do processo eleitoral.

Engajamento jovem e exercício da cidadania

O projeto também dialoga diretamente com os jovens que votarão pela primeira vez em 2026. A estudante Isabela Pacheco, de 17 anos, afirma que já pesquisa sobre os candidatos. "Eu já pesquisei bastante. Fui atrás de pessoas em quem confio e que podem mudar nossa região", disse. Cauã da Silva, também de 17 anos, conta que acompanha o noticiário há algum tempo para se preparar para o exercício do voto.

As eleições gerais acontecem em outubro de 2026, mas como propõe o "Amazônia Que Eu Quero", o exercício da cidadania começa muito antes do dia da votação. Passa pelo acesso à informação qualificada, pelo uso consciente das tecnologias digitais e pelo entendimento fundamental de que o poder do voto continua nas mãos de cada eleitor, especialmente em uma região com características únicas como a Amazônia.