Látex: O Ouro Branco da Amazônia Transformado em Calçados Sustentáveis por Empreendedor de 75 Anos
Látex da Amazônia vira calçados sustentáveis com açaí

Látex: O Ouro Branco da Amazônia Ganha Nova Vida com Inovação Sustentável

Um empreendedor paranaense de 75 anos está revolucionando a exploração do látex na Amazônia, transformando a seiva bruta em calçados ecológicos que valorizam o trabalho local e protegem o meio ambiente. Francisco Samonek, fundador da empresa Seringô, com sede em Castanhal, no nordeste do Pará, desde 2018, afirma que a região vive um novo ciclo da borracha, mais vantajoso que cultivos como a soja por sua sustentabilidade.

Da Floresta aos Pés: O Processo de Criação dos Calçados

A Seringô adquire látex de aproximadamente 1.600 famílias, principalmente na região do Marajó, incluindo municípios como Anajás, Portel, Melgaço, Breves e Curralinho. O processo inicia com a extração diária de 10 litros de látex por seringueiro, seguida por uma vulcanização artesanal patenteada pela empresa. Esta técnica, ensinada às comunidades com insumos distribuídos gratuitamente, confere solidez e elasticidade à borracha, dispensando o uso de água na limpeza—ao contrário do modelo industrial, que consome até 20 litros por quilo.

Inovação com Açaí: Francisco descobriu que o caroço do açaí, fruto popular no Pará, ajuda a evitar o encolhimento da borracha. Os caroços, descartados por indústrias, são triturados em micropartículas e misturados à borracha natural para formar o solado dos calçados. Além disso, a montagem utiliza tecido e barbante de algodão orgânico, resinas vegetais e sílica mineral, substituindo materiais convencionais derivados de petróleo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Valorização das Comunidades e Impacto Social

A Seringô integra-se ao Polo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio), ONG fundada por Francisco em 1998. Enquanto a Seringô foca na produção e venda de calçados, o Poloprobio prioriza o desenvolvimento social, proteção ambiental e capacitação gratuita para povos indígenas, seringueiros, ribeirinhos e quilombolas.

  • Capacitações: Homens aprendem a colher látex e vulcanizar; mulheres são treinadas em artesanato e biojoias, promovendo independência financeira e proteção contra abusos.
  • Remuneração Justa: A Seringô paga R$ 20 por quilo de borracha, contra R$ 3 a R$ 4 do mercado bruto, fortalecendo a economia local.

Propósito de Vida e Legado na Amazônia

Aos 75 anos, Francisco, que migrou do Paraná para a Amazônia em 1982, sente-se realizado ao impulsionar a borracha natural. Chamado de "doido" por acreditar nessa retomada, ele destaca a floresta como sua maior motivação. "A Amazônia é um refúgio necessário para a qualidade de vida do planeta, e não há atividade melhor para conservá-la do que a borracha", afirma. Sua dedicação inclui captar recursos para pesquisas e capacitações, vivendo intensamente a causa 24 horas por dia.

Durante a COP 30, em Belém em novembro de 2025, a marca patrocinou 1.500 pares de tênis para voluntários, com apoio do Banco do Brasil, demonstrando o alcance de sua iniciativa. Esta reportagem faz parte da série especial "Látex: O Ouro Branco da Amazônia", que explora a transformação sustentável da borracha na região.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar