Sobreviventes de Epstein revelam traumas e acusam figuras poderosas em entrevista exclusiva
Vítimas de Epstein falam sobre abusos e conexões influentes

Sobreviventes de Epstein rompem silêncio em entrevista emocionante ao BBC Newsnight

Cinco mulheres que sobreviveram aos abusos do criminoso sexual Jeffrey Epstein reuniram-se pela primeira vez no estúdio do programa BBC Newsnight, apresentado por Victoria Derbyshire, para uma conversa franca e dolorosa. Jena-Lisa Jones, Wendy Pesante, Joanna Harrison, Chauntae Davies e Lisa Phillips compartilharam relatos detalhados dos traumas sofridos, expressando descrença na justiça após a morte de Epstein e apontando para a possível cumplicidade de figuras influentes.

Identidades expostas e trauma renovado

Joanna Harrison, cujo nome foi divulgado sem autorização na liberação de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, decidiu falar publicamente após anos de silêncio. "Chega um ponto em que você está sendo sufocada e precisa respirar, e sinto que esta é a minha forma de tentar respirar", afirmou Harrison, descrevendo o constrangimento e a vergonha que a impediam de denunciar os abusos. Ela conheceu Epstein na Flórida aos 18 anos, onde tudo começou com uma massagem que rapidamente se transformou em agressão sexual. "Quando ele começou a se masturbar, eu simplesmente congelei", recordou, acrescentando que foi estuprada no aniversário do criminoso.

Conexões com figuras poderosas e viagens perturbadoras

Chauntae Davies revelou imagens inéditas de uma viagem humanitária à África no avião particular de Epstein, que incluía a presença de Ghislaine Maxwell, do ator Kevin Spacey e do ex-presidente americano Bill Clinton. "Foi uma viagem única na vida e, infelizmente, teve de ser manchada pelo que estava acontecendo a portas fechadas", disse Davies, que foi estuprada por Epstein em sua ilha particular, Little St James. Ela descreveu ter feito uma massagem em Clinton durante uma parada em Portugal, mas afirmou nunca considerar contar-lhe sobre os abusos, questionando se ele poderia ter impedido as ações de Epstein.

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O rancho assustador e as táticas de manipulação

As sobreviventes também falaram sobre o rancho Zorro, no Novo México, local que Davies descreveu como "frio, escuro e perturbador". Lisa Phillips ecoou essa percepção, afirmando que o lugar era "realmente assustador". Davies acredita que há muito mais a ser descoberto sobre os crimes cometidos no local, que levou o Estado do Novo México a reabrir uma investigação criminal. Phillips relatou ainda que Epstein se gabava de suas conexões influentes, incluindo empréstimos à ex-duquesa de York, Sarah Ferguson, e que teria dito "Gosto de ter coisas contra as pessoas" ao justificar o envolvimento de Andrew Mountbatten-Windsor em supostas agressões sexuais.

Impacto duradouro e busca por justiça

Jena-Lisa Jones e Wendy Pesante, que conheceram Epstein aos 14 anos, destacaram os efeitos psicológicos profundos dos abusos. "Você não deveria ter a mentalidade de uma profissional do sexo aos 14 anos", disse Pesante, enfatizando como a experiência distorceu sua realidade. Durante a entrevista, as sobreviventes receberam fotos de si mesmas na época dos abusos, levando Harrison a refletir: "Eu não sorrio mais da mesma forma". Todas expressaram ceticismo sobre o suicídio de Epstein, com Phillips afirmando: "Nós o conhecíamos, sabíamos que tipo de pessoa ele era". Elas pediram investigações mais profundas, incluindo um apelo de Phillips para que a polícia do Reino Unido examine o envolvimento de Mountbatten-Windsor.

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