STF derruba lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em decisão unânime
STF derruba lei catarinense que proibia cotas raciais

STF derruba lei catarinense que proibia cotas raciais em decisão histórica

O Supremo Tribunal Federal concluiu nesta sexta-feira (17) o julgamento que determinou a inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais nas universidades estaduais e em contratações públicas. A decisão foi unânime, com votação de 10 a 0, invalidando completamente o texto sancionado pelo governador Jorginho Mello (PL) em janeiro deste ano.

Julgamento virtual e posicionamento dos ministros

O processo ocorreu em plenário virtual, sistema remoto onde os ministros depositam seus votos, iniciado na última sexta-feira (10) com prazo final nesta sexta. O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, foi o primeiro a votar pela inconstitucionalidade, sendo seguido por todos os demais membros da Corte.

Gilmar Mendes argumentou que existe jurisprudência consolidada no STF em defesa da reserva de vagas e criticou a pressa do governo catarinense em aprovar a legislação sem análise adequada das consequências. "Políticas dessa natureza, quando bem utilizadas, efetivamente concretizam o princípio da igualdade, concebido como igual respeito às diferenças e mandado de combate às desigualdades materiais", afirmou o decano em seu voto.

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Formação da maioria e fundamentos da decisão

Até quinta-feira (16), já havia se formado uma maioria contra a lei com os votos dos ministros:

  • Alexandre de Moraes
  • Flávio Dino
  • Dias Toffoli
  • Cristiano Zanin
  • Luiz Edson Fachin
  • Cármen Lúcia

Nesta sexta-feira, completaram a unanimidade os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. No seu voto, Flávio Dino destacou que o relator demonstrou com precisão como a premissa central da lei - de que as cotas raciais violariam o princípio da isonomia - contraria frontalmente o entendimento consolidado na corte.

Contexto da lei catarinense e argumentação do governo

O texto original, de autoria do deputado estadual Alex Brasil (PL), foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 10 de dezembro do ano passado. O governo catarinense justificou a medida alegando busca por:

  1. Concorrência mais justa no acesso às universidades
  2. Valorização da meritocracia
  3. Respeito à decisão da Assembleia Legislativa
  4. Melhoria do acesso para candidatos economicamente vulneráveis

A lei proibia não apenas a reserva de vagas para ingresso de estudantes, mas também para contratação de docentes, técnicos e qualquer outro profissional no serviço público estadual.

Dados demográficos e posicionamento final do STF

Na manifestação enviada ao STF, a gestão Mello apresentou dados indicando que 81,5% da população catarinense se declara branca, enquanto pretos e pardos representam 18,1%, percentual significativamente inferior à média nacional de 56,1%.

O ministro Edson Fachin, ao acompanhar o relator, afirmou que a declaração de inconstitucionalidade reafirma o compromisso da corte com a efetividade dos objetivos fundamentais da República. "Tais comandos não ostentam caráter meramente programático, mas configuram diretrizes normativas vinculantes, que irradiam efeitos sobre toda a atuação estatal", declarou Fachin.

A decisão unânime do STF representa um marco importante na defesa das políticas afirmativas no Brasil, consolidando o entendimento de que medidas de combate às desigualdades raciais são constitucionais e necessárias para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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