MPF investiga retirada de moradores de rua do centro de Aracaju após denúncia
MPF investiga retirada de moradores de rua em Aracaju

MPF abre investigação sobre remoção de pessoas em situação de rua no centro de Aracaju

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma apuração formal sobre a retirada de pessoas em situação de rua da região central de Aracaju, capital sergipana. A ação ocorreu no dia 5 de fevereiro, nas proximidades do Edifício Walter Franco e da Praça Fausto Cardoso, locais tradicionalmente ocupados por população vulnerável.

Denúncia detalha violação de direitos

Segundo a denúncia recebida pelo MPF, a operação resultou na remoção forçada de 10 pessoas, cujos pertences e barracas foram retirados do local. O grupo era composto por:

  • Homens e mulheres adultos
  • Uma gestante em situação de vulnerabilidade
  • Uma adolescente sem acompanhamento familiar
  • Pessoas com deficiência física ou mental

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) assumiu a condução do caso, tratando-o como um procedimento administrativo voltado para a prevenção de violências contra essa população.

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Exigências do Ministério Público Federal

O MPF enviou ofícios oficiais para três órgãos municipais:

  1. Prefeitura de Aracaju
  2. Guarda Municipal
  3. Secretaria Municipal da Assistência Social (Semfas)

As solicitações estabelecem um prazo de 10 dias para que a gestão municipal apresente explicações detalhadas sobre:

  • Existência de pedido formal para a atividade de remoção
  • Justificativas técnicas que embasaram o impedimento da permanência no espaço público
  • Protocolos seguidos durante a operação

Versão da administração municipal

Em nota oficial, a Semfas negou qualquer intenção de higienização social. A secretaria afirmou que durante a ação:

  • As pessoas foram apenas orientadas a descartar materiais indesejados, como baldes utilizados para dejetos
  • Todos os pertences pessoais permaneceram sob guarda de seus proprietários
  • Os indivíduos foram encaminhados ao Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP)

A administração municipal garantiu que aqueles que buscaram o serviço já estão recebendo atendimento especializado, embora não tenha especificado quantas pessoas efetivamente aceitaram o encaminhamento.

Contexto de proteção aos direitos humanos

Este caso se insere no acompanhamento sistemático que o MPF realiza sobre políticas públicas destinadas à população em situação de rua. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão mantém um monitoramento constante para garantir que ações municipais não violem direitos fundamentais estabelecidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais de direitos humanos.

A investigação em andamento poderá resultar em recomendações, termos de ajustamento de conduta ou até ações judiciais caso sejam identificadas irregularidades na conduta dos agentes públicos envolvidos na operação do dia 5 de fevereiro.

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