MP do Ceará move ação para reintegrar aluno neurodivergente expulso de escola particular
MP do Ceará age para reintegrar aluno neurodivergente expulso

MP do Ceará move ação para reintegrar aluno neurodivergente expulso de escola particular

Um caso emblemático de violação aos direitos educacionais de crianças neurodivergentes ganhou destaque no Ceará. O Ministério Público do estado ajuizou uma ação civil pública para reverter a expulsão de um garoto de 11 anos, diagnosticado com síndrome de Tourette e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), de uma escola particular localizada no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza.

Expulsão e medidas punitivas

De acordo com as informações do Ministério Público, a criança, matriculada no 6º ano do Ensino Fundamental, foi expulsa da instituição em outubro de 2025. A decisão ocorreu após episódios de desregulação emocional, que são sintomas diretos dos seus diagnósticos clínicos. Antes da expulsão, o estudante vinha sendo submetido, desde o início do ano letivo, a um regime disciplinar punitivo que ignorava completamente sua condição neurodivergente.

O órgão ministerial destacou que a escola tinha conhecimento da condição do aluno desde dezembro de 2024, por meio de um laudo técnico fornecido pela família. Contudo, a instituição de ensino não elaborou o Plano Educacional Individualizado (PEI) para o estudante, medida fundamental para garantir seu desenvolvimento educacional adequado.

Ação do Ministério Público

No dia 3 de fevereiro deste ano, o Ministério Público do Ceará iniciou uma ação solicitando que o colégio reintegre imediatamente o aluno, sob pena de multa em caso de descumprimento. O procedimento instaurado pela promotoria apura a "grave violação aos direitos educacionais do aluno neurodivergente".

Na ação, o MP pede à Justiça que declare a "nulidade absoluta do ato administrativo" que motivou a expulsão do garoto, ante a manifesta violação ao devido processo legal e à proteção da pessoa com deficiência. Além disso, foi determinada a renovação compulsória da matrícula do estudante para o ano letivo de 2026.

Obrigações da escola

O Ministério Público também exige que a instituição de ensino implemente e execute o Plano Educacional Individualizado (PEI), de acordo com as orientações da equipe técnica multidisciplinar que acompanha o aluno. "Por conta disso, o aluno sofreu, sucessivamente, sanções disciplinares severas decorrentes da própria ausência de suporte adequado, o que culminou com a expulsão do discente", afirmou o órgão.

Diante dos fatos, o MP expediu recomendação para que o colégio revisse a decisão de transferência compulsória, que não foi acatada pela instituição. No documento, o MP do Ceará pede ainda que a coordenação do colégio seja condenada a pagar indenização a título de danos morais individuais, em favor da criança, e de danos morais coletivos, em razão do caráter pedagógico-punitivo frente à conduta discriminatória demonstrada.

Contexto e símbolos da neurodiversidade

Este caso ressalta a importância de compreender e respeitar os símbolos e necessidades da neurodiversidade, como girassóis, infinitos e quebra-cabeças, que representam a diversidade de funcionamento cerebral. A falta de suporte adequado em ambientes educacionais pode levar a situações graves de exclusão, como a vivida pelo estudante cearense.

O Ministério Público não informou o nome da escola que está sendo alvo da ação. Com isso, não foi possível localizar a defesa da instituição para comentar o caso. A ação segue em tramitação na Justiça, aguardando decisão sobre a reintegração do aluno e as medidas compensatórias solicitadas.