Ministério das Comunicações investiga Ratinho por discurso transfóbico contra deputada Erika Hilton
Ministério investiga Ratinho por falas transfóbicas contra Erika Hilton

Ministério das Comunicações inicia investigação formal contra apresentador Ratinho

O Ministério das Comunicações abriu oficialmente uma investigação administrativa para apurar as declarações consideradas transfóbicas proferidas pelo apresentador Ratinho, do SBT, contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A representação será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), que buscará avaliar todos os pontos apresentados seguindo rigorosamente os trâmites administrativos e legais cabíveis.

Contexto das declarações polêmicas

Na última quarta-feira, dia 11 de março, durante seu programa ao vivo no SBT, o apresentador comentou a eleição da deputada Erika Hilton para o cargo de presidente da Comissão de Defesa da Mulher da Câmara dos Deputados. Esta foi a primeira vez na história que uma deputada trans foi eleita para ocupar essa posição. Em rede nacional, Ratinho afirmou que não achava "justo uma mulher trans representar as mulheres" e declarou que o cargo "deveria ser ocupado por uma mulher de verdade".

O apresentador prosseguiu com afirmações ainda mais específicas e controversas: "Mulher tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias". No dia seguinte, a deputada Erika Hilton anunciou publicamente que havia ingressado com um processo judicial contra Ratinho por transfobia e misoginia, detalhando que o apresentador interrompeu seu programa para fazer declarações que negavam a identidade de mulheres trans.

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Repercussão judicial e resposta do apresentador

Na última sexta-feira, dia 13 de março, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra Ratinho e o SBT em decorrência das falas transfóbicas. A ação, assinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas, pede que ambos sejam condenados a pagar uma multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Além da indenização, o MPF solicita que o SBT seja obrigado a implementar medidas e mecanismos de prevenção, autorregulamentação e fiscalização, com o objetivo claro de evitar a ocorrência de novas ofensas à comunidade LGBTQIA+. A ação destaca que se trata de atos de preconceito e discriminação veiculados em rede nacional de televisão aberta e amplificados através de redes sociais.

Nesta segunda-feira, dia 16 de março, Ratinho se pronunciou durante seu programa sobre a enorme repercussão de suas declarações. O apresentador afirmou que estava sendo "atacado por dar apenas uma opinião", mantendo sua posição inicial sem demonstrar arrependimento público.

Compromisso institucional e próximos passos

Em nota oficial, a Secretaria de Radiodifusão (Serad) reafirmou seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e o cumprimento rigoroso da legislação vigente. A investigação do Ministério das Comunicações representa um marco importante no combate à discriminação nos meios de comunicação, estabelecendo um precedente significativo para casos similares no futuro.

A deputada Erika Hilton, que foi eleita para a Comissão de Defesa da Mulher com amplo apoio, continua mobilizando esforços para garantir que seus direitos e os de toda a comunidade LGBTQIA+ sejam respeitados. Este caso evidencia a necessidade contínua de educação e conscientização sobre diversidade e direitos humanos no Brasil.

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