Minas Gerais inaugura primeiro centro de direitos humanos para repatriados do Brasil
MG terá primeiro centro para repatriados do país em aeroporto

Minas Gerais inaugura primeiro centro de direitos humanos para repatriados do Brasil

O estado de Minas Gerais está prestes a inaugurar o primeiro Centro de Referência em Direitos Humanos do país voltado exclusivamente para repatriados e migrantes. A estrutura inovadora será instalada no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins, e sua abertura oficial está marcada para a próxima segunda-feira (09). Este terminal aeroportuário possui uma relevância particular, pois recebe semanalmente os voos com brasileiros deportados pelos Estados Unidos.

Contexto das deportações e números alarmantes

O ano de 2025 marcou um triste recorde na história das relações migratórias entre Brasil e Estados Unidos. Segundo dados consolidados pela Polícia Federal e pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, um total de 3.294 cidadãos brasileiros foram mandados de volta ao país no ano passado, configurando o maior volume de deportações já registrado. Somente neste ano, até o momento, 491 brasileiros já foram repatriados em sete voos distintos, evidenciando a necessidade urgente de uma estrutura de acolhimento adequada.

Objetivos e funcionamento do novo centro

De acordo com informações do governo federal, o Centro de Referência em Direitos Humanos para Repatriados e Migrantes (CREDH-RM) foi concebido para atuar diretamente no contexto das dinâmicas migratórias contemporâneas. Seu foco principal está voltado para pessoas brasileiras repatriadas e migrantes que se encontram em situação de vulnerabilidade. Atualmente, já existe uma operação de acolhimento humanitário coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania no Aeroporto de Belo Horizonte/Confins, porém, essa ação ocorre apenas nos dias específicos de chegada dos voos com deportados, em uma área de desembarque especial.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A grande novidade com a implantação do centro de referência é que todos os brasileiros repatriados e migrantes poderão buscar atendimento de forma contínua, não ficando mais restritos aos momentos imediatos da chegada. A estrutura física ficará instalada no 1º piso do Terminal de Passageiros 1, precisamente no nível superior ao Check-in 1 da Azul, e funcionará de segunda a sexta-feira, no horário das 9h às 18h.

Metodologia de atendimento em quatro etapas

O modelo de funcionamento do centro foi cuidadosamente estruturado em três frentes de atuação específicas: apoio no fluxo de chegada dos repatriados; atendimento especializado para demandas migratórias e casos de violação de direitos; e articulação imediata com a rede local de proteção e assistência. Todo o atendimento será presencial e interdisciplinar, realizado por uma equipe técnica especializada composta por profissionais com expertise em direitos humanos, políticas públicas, atendimento psicossocial e suporte a migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. Estes profissionais foram contratados através de uma parceria estratégica com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Os repatriados e migrantes que procurarem o centro passarão por um processo de acolhimento dividido em quatro etapas fundamentais:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  1. Acolhimento inicial, com escuta qualificada e abordagem humanizada para compreensão da situação individual;
  2. Identificação de possíveis situações de violações de direitos humanos e demandas imediatas, que podem incluir questões de documentação, saúde, assistência social e proteção contra violências diversas;
  3. Orientação detalhada sobre direitos fundamentais e acesso a serviços públicos disponíveis;
  4. Encaminhamentos articulados com a rede local, visando o acesso a políticas públicas de assistência social, saúde, educação, trabalho e geração de renda.

Impacto social e perspectiva futura

A criação deste centro representa um marco na política nacional de direitos humanos e acolhimento migratório. Ao oferecer um espaço dedicado e especializado, o governo busca não apenas mitigar os traumas associados ao processo de deportação, mas também garantir a reintegração social digna desses cidadãos. A iniciativa surge em um momento crítico, onde os números recordes de repatriados exigem respostas estruturais e humanizadas por parte do Estado brasileiro. A expectativa é que o modelo implantado em Minas Gerais possa servir de referência para outros estados e aeroportos do país que também recebem fluxos significativos de brasileiros deportados.