Mãe iraniana exige justiça por ataque que matou mais de 150 crianças em escola
Mãe iraniana pede justiça por ataque que matou 150 crianças

Mãe iraniana faz apelo emocionado por justiça após ataque que matou mais de 150 crianças

Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio à escola de Minab, no sul do Irã, fez um comovente apelo por justiça durante reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). Mohaddeseh Fallahat, cujos filhos Amin e Mehdi estavam entre as vítimas, descreveu o vazio deixado pela tragédia e relembrou as últimas palavras que ouviu das crianças: "Venha nos buscar depois da escola".

O ataque que chocou o mundo

O bombardeio, realizado no primeiro dia de ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, deixou aproximadamente 175 mortos, incluindo crianças e professores. O incidente tornou-se alvo de disputa de versões entre o governo iraniano e as autoridades norte-americanas, com acusações graves de violações aos direitos humanos.

"Aquela manhã foi como qualquer outro dia", declarou Fallahat emocionada. "Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez".

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O vazio de uma casa silenciosa

A mãe descreveu com detalhes dolorosos a ausência dos filhos: "Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que uma casa deveria ser". Ela revelou que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram inacabados, símbolos dos sonhos interrompidos de forma abrupta.

Fallahat enfatizou que sua luta vai além do luto pessoal: "Não sou apenas uma mãe enlutada. Sou a voz de todas as mães que enviaram seus filhos à escola acreditando na segurança". Ela pediu que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos, "não por vingança, mas por justiça".

Acusações graves na ONU

Durante a mesma sessão, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, fez acusações graves contra Estados Unidos e Israel:

  • Acusou os dois países de cometer genocídio durante a guerra
  • Afirmou que mais de 600 escolas foram destruídas ou danificadas, resultando em mais de 1.000 alunos e professores mortos ou feridos
  • Disse que as vítimas do ataque a Minab foram "massacradas de forma completamente intencional e brutal"
  • Criticou os EUA por iniciarem a guerra durante negociações nucleares

Araqchi declarou: "Esse ataque brutal é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos".

Investigações e respostas internacionais

Enquanto isso, investigações preliminares indicam que o bombardeio foi feito por engano pelo Exército dos EUA. O chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu que os Estados Unidos concluam sua investigação sobre o ataque e publiquem os resultados: "Peço que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado".

O governo Trump, por sua vez, acusa o Irã pelo ataque à escola e afirma que não tem civis como alvo. Os Estados Unidos não tiveram um orador na sessão do conselho para se defender das acusações de Araqchi.

Posicionamento do Brasil

O representante do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ministro André Simas Magalhães, condenou fortemente o ataque: "Este ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo".

A sessão em Genebra destacou não apenas a tragédia específica de Minab, mas também o padrão mais amplo de violações em conflitos internacionais, com apelos unânimes por transparência nas investigações e justiça para as vítimas e suas famílias.

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