Juíza restringe ações do ICE em Minneapolis após morte de manifestante
Liminar federal restringe ICE em protestos de Minneapolis

Uma decisão judicial federal impôs restrições significativas às ações de agentes de imigração dos Estados Unidos durante protestos em Minneapolis, Minnesota. A ordem, emitida na sexta-feira, 16 de fevereiro, responde ao aumento da tensão após o envio de milhares de agentes federais para a região e a morte de uma manifestante.

O que determina a liminar judicial

A juíza distrital Kate Menendez emitiu uma liminar de 83 páginas que impede agentes do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) e de outras agências federais de usarem táticas específicas contra manifestantes pacíficos. A decisão atende a um processo movido em 17 de dezembro por seis manifestantes e observadores, que alegaram violação de seus direitos constitucionais.

A ordem proíbe explicitamente a detenção de pessoas que estejam protestando ou apenas observando de forma pacífica, a menos que exista suspeita razoável de que estejam interferindo na aplicação da lei ou tenham cometido um crime. Além disso, fica vetado o uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo ou qualquer munição para controle de multidões contra esse grupo.

A magistrada também barrou a prática de parar ou deter motoristas e passageiros sem motivo concreto de que estejam obstruindo agentes. Em sua decisão, Menendez questionou a defesa do governo, afirmando que ele não conseguiu "explicar por que é necessário prender e usar força contra observadores pacíficos".

Contexto de tensão e o caso Renee Good

A liminar surge em um momento de extrema tensão em Minneapolis. A situação se agravou consideravelmente após o envio de 2.000 agentes de imigração anunciado pelo governo Trump, reforçando um destacamento anterior. Com isso, o número total de agentes fortemente armados do ICE e da Patrulha de Fronteira na região chegou a quase 3.000, superando o efetivo das polícias locais de Minneapolis e St. Paul.

O ápice da crise ocorreu em 7 de janeiro, quando um agente do ICE matou a tiros Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos. Good participava de uma patrulha de bairro organizada por ativistas para monitorar as atividades dos agentes federais. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem — citada no processo —, defendeu a ação, acusando Good de "perseguir e impedir" agentes e cometer um ato de "terrorismo doméstico".

Entretanto, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e ativistas locais contestaram essa versão. Eles apresentaram vídeos que, segundo afirmam, mostram Good tentando se afastar dirigindo, e consideraram o uso de força letal injustificado. Frey e o governador de Minnesota, Tim Walz, têm exigido publicamente a retirada dos agentes federais, alegando que a operação é conduzida de forma imprudente e coloca o público em risco.

Limites e alcance da decisão

Apesar de ser uma vitória para os ativistas, a juíza não atendeu a todos os pedidos dos autores da ação. Ela se recusou a proibir ações do governo federal que não tenham sido direcionadas especificamente aos que ingressaram com o processo. Além disso, a liminar foi limitada aos agentes destacados na região das Cidades Gêmeas (Minneapolis e St. Paul), não se estendendo a todo o estado de Minnesota.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) não se manifestou imediatamente após o pedido de comentário da Reuters sobre a decisão. A ordem judicial representa um freio significativo nas operações do ICE em um cenário marcado por protestos contínuos e por um embate político entre autoridades locais e o governo federal.