Deputada Gleide Ângelo alerta para falhas na execução da Lei Maria da Penha em Pernambuco
Falhas na execução da Lei Maria da Penha em Pernambuco

Deputada Gleide Ângelo expõe desafios na aplicação da Lei Maria da Penha em Pernambuco

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) analisou 134 propostas em 2025, com 82 aprovadas, mas a presidente do colegiado, deputada Gleide Ângelo (PSB), alerta que o maior obstáculo está na execução dessas medidas. Em entrevista à série "Marcas" da TV Globo, ela enfatizou que muitas ações previstas na lei ainda não saem do papel, apesar das responsabilidades estabelecidas para Judiciário, Ministério Público, governos e municípios.

Dificuldades na implementação e estrutura insuficiente

Gleide Ângelo explicou que a Lei Maria da Penha exige a criação de centros de referência e delegacias da mulher, mas grande parte dos municípios pernambucanos carece de estrutura básica. "A falta de informação é algo muito grave. Uma mulher na zona rural vai pedir proteção a quem?", questionou a parlamentar, destacando que muitas localidades não possuem organismos municipais voltados às mulheres. Ela citou que Pernambuco tem apenas 15 delegacias da mulher para 184 municípios, metade das quais não funciona à noite ou nos fins de semana, contrariando a legislação federal.

Recursos não utilizados e fiscalização orçamentária

A comissão acompanha a aplicação de recursos destinados às políticas para mulheres, com R$ 102 milhões previstos na Lei Orçamentária de Pernambuco. Gleide Ângelo revelou que R$ 4,5 milhões de 2023 e valores de 2024 não foram utilizados, acumulando mais de R$ 8 milhões em conta. Esses fundos, provenientes do Fundo Nacional de Segurança Pública, deveriam ser direcionados para segurança da mulher, incluindo patrulhas Maria da Penha e salas lilás em delegacias. A deputada criticou a falta de execução, afirmando que o dinheiro poderia ser usado para comprar ônibus-viaturas e melhorar o atendimento.

Audiências públicas e estratégias de ação

Para discutir políticas públicas, a comissão realiza audiências públicas que reúnem representantes do Judiciário, Ministério Público, governo estadual e sociedade civil. Após esses encontros, relatórios são encaminhados ao governo e à Secretaria da Mulher, mas Gleide Ângelo lamentou que, desde maio, nada do que foi proposto foi executado. Ela ressaltou a importância de fortalecer a rede de proteção, com poucas varas especializadas no Judiciário e estruturas do Ministério Público e Defensoria voltadas para o atendimento.

Contexto nacional e iniciativas federais

No âmbito nacional, o Congresso instalou em dezembro de 2025 a Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher, com participação da deputada federal Isa Arruda (MDB). Ela defende um pacto nacional com investimento de R$ 5 bilhões entre 2026 e 2028 para ampliar a rede de proteção e salvar vidas. Arruda apontou que, apesar de um marco legal robusto, o Brasil tem uma rede fragmentada, com orçamentos que nem sempre chegam à ponta. Exemplos como Niterói (RJ) e Vitória, com mais de 300 dias sem feminicídios, mostram a eficácia de ações concretas como salas lilás e auxílio financeiro.

Respostas das autoridades e serviços disponíveis

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) informou que, em 2025, houve aumento de 50% nas prisões em flagrante por violência doméstica, com 15 delegacias especializadas encaminhando 7.863 inquéritos e formulando 16.657 pedidos de medidas protetivas. A SDS destacou iniciativas como um ônibus-delegacia em regiões vulneráveis, capacitação de agentes e compra de equipamentos com verba federal. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) conta com 12 varas de enfrentamento à violência doméstica e oferece serviços como medidas protetivas eletrônicas e aplicativo de alerta. No Recife, centros de referência e salas da mulher fornecem atendimento 24 horas, com denúncias possíveis através de telefones como 180 e 190.