Cliente é indiciada por crime de racismo após ofender atendente em loja de Florianópolis
A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou uma mulher pelo crime de racismo após ela proferir ofensas racistas contra um atendente de loja em Florianópolis. O caso, ocorrido em 28 de janeiro, foi registrado pelas câmeras de monitoramento do estabelecimento e gerou ampla repercussão.
Investigação priorizada e conclusão rápida
O delegado Pedro Mendes, diretor de Polícia da Grande Florianópolis, destacou a gravidade do episódio e a celeridade da investigação. "Há fortes indícios do cometimento do crime, haja vista que temos um vídeo em que é inegável que esse crime bárbaro aconteceu", afirmou. A 7ª Delegacia de Polícia deu prioridade total ao caso, ouvindo tanto a vítima quanto a autora, e juntou as imagens ao inquérito, concluindo pelo indiciamento.
O Ministério Público de Santa Catarina já recebeu o inquérito policial e analisa o oferecimento de denúncia formal contra a mulher.
Detalhes do episódio racista
As imagens de segurança mostram a mulher entrando na loja localizada no bairro Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha de Santa Catarina. Ela questionou o atendente, Dennys Evangelista da Silva, de 18 anos, sobre a localização de outro estabelecimento. Insatisfeita com a resposta, proferiu as ofensas: "Nego quando não caga na entrada, caga na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego".
Dennys, que está em seu primeiro emprego, explicou que a cliente queria trocar a tela do celular, mas o técnico responsável não estava presente. Ele indicou outra loja, o que pareceu irritá-la. "Quando falei que o técnico tinha saído, expliquei para ela por que ele tinha saído, sendo que não era minha obrigação explicar, e ela ficou braba porque achou que não estava com vontade de trabalhar", relatou o jovem.
Impacto emocional na vítima
O atendente descreveu o choque inicial e o trauma subsequente. "Na hora, eu fiquei em choque. Só caiu a ficha do que realmente tinha acontecido quando eu cheguei em casa, que daí eu chorei um monte, me senti muito mal", disse Dennys. Apesar da dor, ele afirmou que o caso "só me dá mais força para continuar", demonstrando resiliência frente à discriminação.
Após o incidente, Dennys registrou um boletim de ocorrência, dando início ao processo legal. A reportagem não conseguiu contato com a mulher indiciada para obter sua versão dos fatos.
Este caso reforça a importância do combate ao racismo e a necessidade de medidas eficazes para coibir tais comportamentos, especialmente em ambientes comerciais e de trabalho.



