Governo do Ceará assume custos para repatriar corpo de babá assassinada em Portugal
Ceará paga traslado de babá assassinada em Portugal

O governo do estado do Ceará assumiu oficialmente os custos para repatriar o corpo de Lucinete Freitas, a babá brasileira assassinada em Portugal há mais de um mês. A autorização foi concedida na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, após articulação estadual para viabilizar o retorno da vítima à sua cidade natal, Aracoiaba, no interior cearense.

Articulação estadual para um retorno digno

A família de Lucinete não possuía condições financeiras para arcar com as despesas do translado internacional. Diante dessa situação, o secretário-chefe da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, entrou em contato com o viúvo, José Teodoro, para comunicar a decisão do Estado. "Nós conversamos com o viúvo da vítima e informamos que estamos resolvendo todas as questões legais para garantir o translado do corpo", afirmou o secretário.

Ele destacou ainda que o governador do Ceará acompanhou o caso pessoalmente, demonstrando sensibilidade diante do sofrimento da família. A operação envolve um esforço conjunto entre a Casa Civil, a Secretaria dos Direitos Humanos e a Procuradoria-Geral do Estado.

O desespero da família e a busca por apoio

Em entrevistas anteriores, José Teodoro havia relatado ter solicitado ajuda ao governo federal. Ele alegava que o caso se enquadraria em uma lei aprovada em 2025 para custear o translado de brasileiros mortos no exterior. No entanto, o governo federal informou que a norma ainda não estava em vigor devido à falta de definição orçamentária.

Abalado pela tragédia, o viúvo descreveu o impacto profundo na rotina familiar. "É uma situação desesperadora. Olhar para o meu filho e não saber o que dizer. A gente passa noites em claro, não consegue dormir direito", disse José Teodoro, em um relato emocionante sobre o luto.

Os detalhes brutais do crime em Portugal

Lucinete Freitas foi dada como desaparecida no dia 5 de dezembro de 2025. Ela morava sozinha em Portugal desde abril do mesmo ano e trabalhava como babá na casa de um casal brasileiro na cidade da Amadora, na região metropolitana de Lisboa.

Dias depois, a Polícia Judiciária portuguesa confirmou a descoberta do corpo. Em nota divulgada pelo Ministério Público de Portugal, as autoridades detalharam a dinâmica do crime. Segundo o MP, a patroa de Lucinete, sob o pretexto de levá-la para casa, conduziu a vítima até um local isolado. Lá, a agrediu violentamente na cabeça com um bloco de cimento, causando lesões que determinaram sua morte.

Após confirmar o óbito, a suspeita, de 43 anos, cobriu o corpo com entulho para ocultá-lo e deixou o local. A mulher foi formalmente acusada de homicídio qualificado, profanação de cadáver, detenção de arma proibida e falsidade informática. O caso segue sob investigação em Portugal.

Enquanto a justiça portuguesa corre seu curso, a família no Brasil aguarda a conclusão dos trâmites para o traslado. O corpo de Lucinete Freitas será finalmente levado para Aracoiaba, onde poderá ser sepultado, encerrando um capítulo de angústia e iniciando o processo de luto digno em sua terra natal.