Um momento de amor e celebração transformou-se em um caso emblemático de luta contra o preconceito no interior de São Paulo. Marcelo Christinelli, um estudante de educação física de 38 anos, protagonizou uma cena romântica ao pedir o namorado em casamento no meio de um shopping center em Araraquara, mas a felicidade do casal foi manchada por ataques homofóbicos nas redes sociais.
O pedido de casamento que emocionou o shopping
No último sábado, 17 de fevereiro, no shopping localizado no bairro Jardim dos Manacás, Marcelo preparou uma surpresa cuidadosamente planejada para Guilherme Furlan, seu parceiro de 25 anos, que é estudante de recursos humanos. Com a ajuda de familiares e amigos, ele escolheu o local por seu significado especial: foi ali que o casal teve seu primeiro encontro, indo juntos ao cinema quase três anos atrás.
Marcelo se ajoelhou diante de Guilherme, segurando uma aliança e um presente, em um gesto que parou os frequentadores do estabelecimento. "Foi algo lindo e mágico", descreveu Marcelo ao recordar o momento, que foi registrado em vídeo e amplamente compartilhado nas redes sociais. Guilherme, que havia ido ao shopping acompanhando um amigo sem desconfiar de nada, relatou: "De repente me deparo com a minha família e o Marcelo de joelhos me pedindo em casamento. Foi uma emoção sem explicação".
O lado sombrio da viralização
Apesar dos muitos elogios e mensagens de apoio que receberam pela demonstração pública de afeto, o casal rapidamente se tornou alvo de comentários homofóbicos em uma publicação na página Araraquara 24 horas no Facebook. Marcelo explicou no boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil na segunda-feira, 19 de fevereiro, que os ataques continham discursos de ódio, ofensas, humilhações e manifestações preconceituosas direcionadas à orientação sexual do casal.
"Já tomamos as devidas providências e cabe à Justiça fazer o que é certo", afirmou Marcelo, ressaltando que as ofensas causaram profundo abalo emocional, constrangimento público e sofrimento psicológico tanto para ele quanto para o noivo. O advogado do casal está reunindo prints das ofensas para subsidiar a investigação policial.
Posicionamento das partes envolvidas
Em nota, a página Araraquara 24 horas repudiou "qualquer forma de injúria, discurso de ódio ou comportamento agressivo, incluindo manifestações homofóbicas, discriminatórias ou preconceituosas". Este caso ocorre em um contexto legal importante: desde 2023, o Supremo Tribunal Federal permite o reconhecimento de atos de homofobia e transfobia como crime de injúria racial, decisão que reforça uma posição já tomada em 2019, quando a Corte enquadrou esse tipo de discriminação no crime de racismo.
Planos para o futuro e reflexão sobre o ocorrido
O casal, ainda sem data definida para o casamento, planeja economizar para realizar uma festa com a presença de amigos e familiares. Marcelo, que sempre desejou fazer um pedido público de casamento, justificou: "Sempre tive essa vontade porque acredito que o mundo precisa ver mais demonstrações de amor e afeto, mas com respeito acima de tudo".
Este episódio ilustra a dualidade enfrentada por muitos casais LGBTQIA+ no Brasil: por um lado, a conquista de espaços para expressar seu amor publicamente; por outro, a persistência do preconceito que exige constante vigilância e ação legal. A história de Marcelo e Guilherme, portanto, transcende o âmbito pessoal, tornando-se um símbolo da luta por direitos iguais e respeito à diversidade.