Aumento histórico de denúncias de assédio sexual no Brasil
O afastamento unânime do ministro Marco Buzzi do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, representa um marco significativo na luta contra o assédio sexual no país. A decisão, tomada por 27 dos 33 magistrados presentes em sessão extraordinária, foi consequência direta de denúncias reveladas pela revista VEJA através do editor-executivo Robson Bonin.
Denúncias graves e investigações sigilosas
Segundo as informações publicadas exclusivamente pela coluna Radar de VEJA, Buzzi teria avançado sobre uma estudante de 18 anos, filha de uma advogada com bom trânsito na Corte, durante um episódio ocorrido em uma praia de Santa Catarina. Dias após a primeira revelação, Bonin divulgou que existe outra investigação em curso relacionada a assédio sexual envolvendo o mesmo magistrado, tratada de forma sigilosa pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O ministro divulgou nota à imprensa declarando-se inocente, enquanto aguarda o desfecho das apurações. Casos de assédio sexual apresentam desafios investigativos particulares, pois frequentemente ocorrem sem testemunhas, tornando o relato das vítimas elemento probatório fundamental. Especialistas destacam que, embora exista a possibilidade de denúncias falsas, esta ocorrência é considerada rara dentro do contexto geral.
Crescimento de 41% nas ações judiciais
O caso do ministro Buzzi reflete uma tendência nacional documentada pela reportagem de Duda Monteiro de Barros e Flávio Monteiro. Dados da Justiça do Trabalho revelam um aumento impressionante de 41% nas ações por assédio sexual durante o ano de 2025, totalizando mais de 10 mil processos em todo o território brasileiro.
As mulheres representam a esmagadora maioria entre as vítimas registradas, e esses números demonstram uma mudança cultural profunda: elas não estão mais dispostas a se calar diante de situações de assédio. Esta coragem coletiva tem transformado o panorama jurídico e corporativo do país.
Transformação no ambiente corporativo e social
Na esteira deste movimento de denúncia, empresas têm se organizado para enfrentar o problema de forma mais estruturada. Departamentos de compliance foram fortalecidos especificamente para receber e processar queixas de assédio sexual, enquanto manuais de conduta interna passaram a abordar o tema com clareza e transparência sem precedentes.
Ao longo das últimas décadas, VEJA tem acompanhado e documentado esta luta por mudanças, destacando em diversas reportagens como a pressão social tem gerado transformações concretas. O aumento de ações na Justiça registrado no ano passado, embora ainda represente apenas uma fração do universo de 35% de mulheres que afirmam ter sofrido assédio sexual, constitui um avanço monumental em relação ao silêncio absoluto que predominava anteriormente.
Este cenário coloca os tribunais brasileiros diante do desafio constante de aplicar a legislação com rigor necessário, garantindo justiça às vítimas enquanto preservam os direitos de defesa dos acusados. A tarefa exige equilíbrio delicado entre punir comportamentos inadequados e evitar condenações injustas, especialmente em casos onde as evidências dependem principalmente dos relatos das partes envolvidas.



