Advogado com nanismo denuncia discriminação em teste físico de concurso para delegado
Advogado com nanismo denuncia discriminação em teste de concurso (09.03.2026)

Advogado com nanismo denuncia discriminação em teste físico de concurso para delegado

O advogado Matheus Menezes, de 25 anos, afirma ter sido vítima de discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Segundo ele, pediu adaptações devido ao seu nanismo, mas teve o pedido ignorado, resultando em sua eliminação na etapa final do processo seletivo.

Eliminação após aprovação em outras fases

Matheus já havia sido aprovado nas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos do concurso. O problema ocorreu especificamente nos exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos. "Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCD. Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou", declarou o advogado.

Teste considerado incompatível com sua condição

Em suas redes sociais, Matheus relatou que um dos testes exigia salto mínimo de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal, exigência que considerou incompatível com sua condição física. "Era a coisa mais simples que a banca poderia fazer, reduzir essa distância para uma distância compatível com a minha altura", disse em entrevista à TV Anhanguera. Após não atingir a marca mínima, não pôde concluir as outras provas do teste físico.

Posicionamento das instituições envolvidas

Em nota, a Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela aplicação do concurso, informou que os exames biofísicos seguiram as regras previstas no edital, que não previa adaptação da etapa às condições individuais dos candidatos. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que Matheus foi aprovado nas etapas anteriores, mas considerado inapto nos exames biofísicos, que têm o objetivo de verificar condições físicas compatíveis com as atividades do cargo.

Busca por justiça e repercussão positiva

Matheus informou que levou o caso ao Ministério Público de Minas Gerais, mas a manifestação acabou sendo arquivada. "A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta", afirmou. Após tornar o caso público, ele recebeu mensagens de apoio e diz que a repercussão encorajou outras pessoas com deficiência. "Graças a Deus a repercussão foi positiva e muita gente se sentiu encorajada em seguir atrás do sonho depois do que eu fiz", completou. Apesar da eliminação, ele mantém o objetivo de se tornar delegado.