A Suzano S/A, gigante do setor de celulose e papel, encerrou definitivamente as atividades de uma de suas unidades na região do Miguel Badra, na cidade de Suzano, no último dia 5 de janeiro, uma segunda-feira. A decisão resultou na demissão de aproximadamente 90 funcionários, que ficaram desempregados.
Negociações e Acordo Coletivo
Imediatamente após o anúncio do fechamento, o Sindicato dos Papeleiros de Mogi das Cruzes e Região iniciou um processo de negociação com a empresa para garantir direitos e benefícios aos trabalhadores desligados. As tratativas foram conduzidas pelo presidente da entidade, Márcio Cruz, conhecido como Bob.
Após discussões, foi firmado um acordo que estabelece uma série de compensações para os ex-funcionários. Os benefícios acertados incluem o fornecimento de cesta básica por seis meses, a manutenção do convênio médico e um auxílio especial para aqueles que possuem filhos com deficiência.
Além disso, o acordo prevê uma bonificação financeira equivalente a um salário nominal para cada ano completo de trabalho na companhia. O sindicato havia inicialmente solicitado três anos de plano de saúde, mas considerou o valor final negociado aquém do esperado, dada a dimensão da Suzano.
Posicionamento da Empresa
Em nota oficial, a Suzano S/A confirmou a conclusão das negociações com o sindicato. A empresa afirmou que as medidas acordadas são fruto de um "processo de negociação pautado pela escuta ativa" e que tinham como objetivo "promover uma transição mais estruturada para os(as) colaboradores(as)".
A multinacional reforçou seu compromisso com o diálogo transparente e com o respeito às pessoas. A justificativa para o encerramento das operações da unidade foi a necessidade de concentrar esforços e investimentos na sua Unidade de Negócio de Papéis e Embalagens (UNPE) no Brasil e em operações internacionais.
Impacto Local e Contexto da Empresa
O fechamento da fábrica em Suzano tem um impacto direto na economia local, retirando do mercado de trabalho dezenas de pessoas de uma só vez. A Suzano se posiciona como a maior produtora de celulose do mundo e a maior fabricante de papéis da América Latina, o que foi citado pelo sindicato durante as negociações para pressionar por melhores condições.
O caso ilustra os movimentos de reestruturação corporativa em grandes empresas e a importância da ação sindical para amenizar os efeitos sociais de decisões estratégicas que envolvem demissões coletivas.