Motoristas de ônibus intermunicipais paralisam atividades no RN por atraso salarial
Paralisação de motoristas de ônibus afeta transporte no RN

Paralisação de motoristas de ônibus intermunicipais afeta transporte no Rio Grande do Norte

Motoristas de ônibus que operam linhas intermunicipais na região metropolitana de Natal realizaram uma paralisação na manhã desta segunda-feira, dia 6 de abril. O protesto impactou significativamente o transporte de passageiros em diversas regiões do estado durante o período matutino, deixando centenas de usuários sem opções de deslocamento.

Motivações do protesto: atrasos salariais e demissões

De acordo com Júnior Rodoviário, presidente do sindicato da categoria, o movimento foi desencadeado pelo anúncio feito pelas empresas aos trabalhadores de que os salários de março seriam pagos de forma parcelada. "Eles colocam um aviso que não sabe quando vai pagar. Mandaram aviso para os trabalhadores, sem comunicação com o sindicato, que iam parcelar esse pagamento de uma forma escalonada, sem discussão com os trabalhadores", afirmou o sindicalista em entrevista.

O sindicato ainda denuncia que parte das empresas realizou demissões recentes sem garantir o pagamento dos direitos previstos para recisão contratual aos trabalhadores. "Uma empresa demite 50 trabalhadores sem previsão dessas rescisória e aí compra uma briga. Se é para prejudicar todo mundo, vamos para a luta, garantir os direitos, porque trabalhador tem que receber suas verbas essenciais", acrescentou Júnior Rodoviário.

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Impacto operacional e respeito aos passageiros

Segundo informações do sindicato, aproximadamente 400 veículos ficaram parados ao longo da manhã, formando uma extensa fila de ônibus estacionados na Rodoviária de Natal. Os trabalhadores haviam deliberadamente evitado realizar a paralisação na última sexta-feira, dia 3, por respeito aos usuários que viajavam para aproveitar o feriado de Páscoa com suas famílias.

O presidente do sindicato destacou que a decisão de paralisar foi tomada apenas após esgotadas todas as tentativas de negociação com as empresas. "Não foi uma decisão fácil, mas quando os direitos básicos dos trabalhadores são desrespeitados, não temos outra alternativa", explicou.

Empresas alegam dificuldades financeiras

A proposta de parcelamento dos salários foi confirmada por Eudo Laranjeiras, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor) e do sindicato que representa as empresas no Rio Grande do Norte. Ele argumenta que as empresas enfrentam sérias dificuldades financeiras, principalmente devido ao aumento de aproximadamente 30% no preço do óleo diesel nas últimas semanas.

"Ou a gente paga o óleo ou paga o motorista. Quer dizer, eu posso pagar o motorista parcelado, mas o óleo diesel, para chegar, eu tenho que pagar. Se eu tiver motorista, tiver tudo no lugar, mas não tiver o diesel, não rodo. Eu também entendo que o profissional tem que receber, mas a gente queria parcelar esse salário deles enquanto surge alguma coisa", afirmou Laranjeiras.

Cobrança por intervenção governamental

De acordo com o representante das empresas, os empresários cobram que o governo do estado injete recursos no sistema, seja através do pagamento pelas empresas do transporte de público que tem direito à gratuidade de tarifa, seja por meio de aumento da passagem. "Nessa situação que nós estamos passando, de estrangulamento, vai haver o quê? Redução de frota na rua e demissão de funcionários. Vai haver um processo de adequação. Já que a tarifa não sobe, já que o subsídio não chega, eu preciso reduzir a operação o tamanho da tarifa", explicou.

Laranjeiras defendeu que "o estado precisa agir rapidamente", alertando que sem medidas de apoio, o sistema de transporte intermunicipal pode entrar em colapso, prejudicando ainda mais os passageiros que dependem desse serviço essencial.

Consequências imediatas e posicionamento oficial

Apenas a empresa Trampolim declarou oficialmente que deverá paralisar 25 viagens e demitir 50 funcionários como consequência da crise financeira. O Departamento de Estradas e Rodagens (DER), órgão responsável pela regulamentação do serviço no estado, foi procurado para se pronunciar sobre a situação, mas não havia emitido nenhum posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem.

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A paralisação evidenciou a fragilidade do sistema de transporte intermunicipal no Rio Grande do Norte e colocou em discussão pública as condições de trabalho dos motoristas, a sustentabilidade financeira das empresas do setor e a necessidade de políticas públicas que garantam a continuidade desse serviço essencial para a população.