Fim da greve do transporte coletivo em Divinópolis após negociação bem-sucedida
A greve dos motoristas de transporte coletivo em Divinópolis, que paralisou a cidade por pouco mais de 24 horas, chegou ao fim neste sábado (18), após intensas negociações entre trabalhadores, sindicato e a empresa concessionária. A paralisação, iniciada na manhã de sexta-feira (17), impactou diretamente a rotina de aproximadamente 70 mil usuários, conforme dados divulgados pela prefeitura municipal.
Acordo aprovado em assembleia põe fim à crise
O movimento grevista foi encerrado após a apresentação e aprovação de uma nova proposta em assembleia realizada na manhã de sábado. Segundo Erivaldo Adami, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Divinópolis, a decisão foi tomada após horas de discussões que resultaram em avanços significativos nas condições trabalhistas.
Os principais pontos do acordo incluem:
- Reajuste salarial de 6%, elevando o salário base de R$ 3 mil para R$ 3.180
- Aumento do vale-alimentação, que passou de R$ 700 para R$ 830
- Elevação do adicional para motoristas que acumulam a função de cobrança, de R$ 450 para R$ 477
- Pagamento retroativo das diferenças salariais nos próximos meses
Apesar desses avanços, o sindicato reconheceu que não houve ganho real significativo nos salários, mas considerou o acordo viável diante do cenário econômico atual. "O trabalhador entendeu que era o momento de encerrar a greve e evitar mais prejuízos para a população", afirmou Adami em declaração à imprensa.
Tarifa do transporte sobe significativamente
Paralelamente às negociações trabalhistas, foi confirmado o reajuste da tarifa do transporte coletivo, anunciado na sexta-feira (17) através de decreto municipal. Com a mudança, a passagem passa de R$ 4,15 para R$ 6,00 no pagamento em dinheiro - um aumento expressivo de 44,5% - e para R$ 5,50 no cartão Divpass, representando alta de 32,5%.
Os novos valores entrarão em vigor a partir do dia 1º de maio, conforme estabelecido pela administração municipal. A prefeita Janete Aparecida explicou que o aumento tarifário permitirá maior cobrança por melhorias no serviço prestado à população. "Agora posso exigir mais da empresa concessionária, principalmente em relação ao cumprimento dos horários e à qualidade dos ônibus", destacou a gestora.
A prefeita também ressaltou que a administração municipal não conseguiu manter os subsídios que evitariam novos reajustes tarifários, situação que contribuiu para a necessidade do aumento.
Impacto da paralisação e normalização do serviço
A greve começou após impasse nas negociações trabalhistas e chegou a interromper completamente a circulação de ônibus na cidade, afetando trabalhadores, estudantes e usuários de serviços essenciais. Durante o ápice da crise, a frota operou com apenas 20% de sua capacidade normal.
No final da tarde de sexta-feira (17), a Justiça determinou que a frota deveria atuar com 60% dos veículos em circulação, decisão que foi acompanhada de perto pelas partes envolvidas enquanto as negociações avançavam.
Com a normalização do serviço, as medidas emergenciais implementadas durante a crise foram suspensas. "Como o transporte está normalizado, não há mais necessidade das vans emergenciais. Esse tipo de medida só tem validade durante a crise", explicou a prefeita Janete Aparecida.
O transporte coletivo retomou suas operações normais em Divinópolis, colocando fim a um período de incerteza que mobilizou trabalhadores, empresários e poder público em busca de soluções para o setor.



