Estudo da CNI projeta impacto bilionário no PIB com fim da escala 6x1
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou novas dimensões econômicas com a divulgação de um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estima um impacto negativo de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em caso de redução da jornada de trabalho. O dado, equivalente a aproximadamente 0,7% da economia nacional, coloca a discussão em um patamar mais complexo, evidenciando não apenas efeitos trabalhistas, mas também profundas consequências macroeconômicas.
Setor industrial lidera perdas estimadas em R$ 25,4 bilhões
A análise setorial apresentada pela CNI indica que a indústria seria a mais atingida pelas mudanças, com perdas estimadas em R$ 25,4 bilhões, seguida pelos setores de serviços, comércio e agropecuária. Esse recorte reforça a percepção de que a alteração na jornada — que inclui o fim do modelo 6x1 — impacta diretamente cadeias produtivas intensivas em mão de obra e com necessidade de operação contínua.
Para o presidente do Simespi (Sindicato Patronal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, os números apresentados pela CNI ajudam a qualificar o debate ao trazer evidências concretas sobre os efeitos econômicos da proposta. "O levantamento confirma uma preocupação recorrente do setor industrial: mudanças estruturais na jornada de trabalho, quando desacompanhadas de ganhos de produtividade, tendem a gerar desequilíbrios no sistema produtivo", afirma o dirigente.
Custos empresariais podem aumentar em R$ 267 bilhões anuais
Camargo observa que a estimativa de retração do PIB está diretamente associada ao aumento do custo do trabalho e à dificuldade de reposição das horas reduzidas. Segundo a própria CNI, a diminuição da jornada elevaria o custo por trabalhador, com reflexos ao longo de toda a cadeia produtiva e potencial repasse aos preços finais.
Outro ponto destacado pelo presidente do Simespi é o risco de perda de competitividade da produção nacional. O estudo da CNI aponta que a redução da jornada pode aumentar a exposição do Brasil ao mercado externo, com queda nas exportações e aumento das importações — um movimento que, na prática, pode acelerar o processo de desindustrialização.
A análise também dialoga com outro dado relevante do levantamento: a elevação dos custos empresariais. Projeções da CNI indicam que o fim da escala 6x1 pode gerar aumento de até R$ 267 bilhões por ano na folha de pagamento das empresas, pressionando especialmente setores industriais e micro e pequenas empresas.
Diálogo amplo e critérios técnicos como caminho necessário
Apesar das críticas, o presidente do Simespi reconhece que o tema responde a uma demanda legítima por melhores condições de trabalho e qualidade de vida. No entanto, ele defende que a construção de soluções deve estar ancorada em critérios técnicos e em diálogo amplo entre governo, trabalhadores e setor produtivo.
"Não se trata de negar a importância do debate, mas de garantir que qualquer mudança seja sustentável e não comprometa emprego, renda e competitividade", sintetiza Camargo ao analisar o levantamento da CNI, concluindo que o desafio central está em equilibrar avanços sociais com viabilidade econômica.
Assim, o estudo da CNI reforça a dimensão econômica do fim da escala 6x1 e sustenta a posição da indústria: a de que a proposta, embora socialmente relevante, exige avaliação cuidadosa para evitar efeitos adversos sobre o crescimento e a estrutura produtiva do país.



