Fim da escala 6×1: impacto de até 7% na folha salarial e pressão sobre pequenas empresas
Fim da escala 6×1: impacto de até 7% na folha salarial

Fim da escala 6×1: impacto de até 7% na folha salarial e pressão sobre pequenas empresas

A proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas no Brasil pode gerar um aumento significativo nos custos com trabalhadores formais, segundo um estudo aprofundado da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento indica que esse impacto pode variar entre 178,2 bilhões de reais e 267,2 bilhões de reais por ano, o que equivale a até 7% da folha salarial total da economia. Essa análise considera dois cenários principais: o pagamento de horas extras aos empregados atuais e a contratação de novos trabalhadores para manter o nível de produção.

Impacto setorial: indústria e construção civil na linha de frente

O estudo da CNI detalha que a redução da jornada implicaria um aumento de cerca de 10% no valor da hora trabalhada para contratos acima de 40 horas semanais. A indústria, em particular, tende a sentir o efeito mais forte, com custos podendo subir até 11,1% da folha, resultando em um impacto anual de até 87,8 bilhões de reais no cenário de horas extras. Dos 32 setores industriais analisados, 21 apresentariam aumentos acima da média da indústria, com destaque para a construção civil, que pode enfrentar elevações de 8,8% a 13,2%.

Segundo a CNI, essa mudança pode pressionar preços e margens, afetando a produção e a competitividade das empresas. A análise por setor revela as seguintes variações estimadas de custos:

  • Indústria da transformação: aumento de 7,7% a 11,6%
  • Construção civil: aumento de 8,8% a 13,2%
  • Comércio: aumento de 8,8% a 12,7%
  • Agropecuária: aumento de 7,7% a 13,5%

Micro e pequenas empresas: as mais afetadas pela redução da jornada

No recorte por porte empresarial, a pressão recai com mais força sobre as micro e pequenas empresas industriais. Responsáveis por 52% do emprego formal, essas empresas tendem a sofrer mais devido à menor capacidade de reorganizar turnos ou ampliar equipes. O estudo mostra que indústrias com até 9 empregados teriam um aumento de custos de 6,8 bilhões de reais, equivalente a 13% da folha no cenário de horas extras, ou de 4,5 bilhões de reais (8,7%) se optarem por novas contratações.

Em contraste, nas empresas com 250 empregados ou mais, o impacto seria de 41,3 bilhões de reais (9,8%) no primeiro cenário e de 27,5 bilhões de reais (6,6%) no segundo. Esse resultado reflete a menor capacidade das micro e pequenas empresas de se adaptarem à redução da jornada, colocando-as no centro da pressão econômica.

A CNI alerta que, além dos custos diretos, a mudança pode ter efeitos cascata sobre a economia, incluindo possíveis ajustes nos preços de produtos e serviços. A discussão sobre a redução da jornada continua a gerar debates entre setores produtivos, sindicatos e governo, com implicações significativas para o mercado de trabalho brasileiro.