Crise em contrato de limpeza escolar deixa funcionárias sem emprego em Votorantim
Contrato de limpeza escolar gera crise e demissões em Votorantim

Crise em contrato de limpeza escolar deixa funcionárias sem emprego em Votorantim

Um impasse no contrato de limpeza das escolas municipais de Votorantim, no interior de São Paulo, gerou uma crise trabalhista que resultou na saída de funcionárias terceirizadas. As trabalhadoras da empresa Gotalimpa Company Brasil Ltda denunciam falta de transparência e afirmam ter sido pressionadas a pedir demissão durante uma disputa judicial pela prestação do serviço.

Transferência forçada e pressão para demissão

Em fevereiro de 2026, após a divulgação do resultado de uma licitação para contratação de nova empresa de limpeza escolar, as funcionárias receberam comunicado de transferência para postos de trabalho em Sorocaba, em período noturno. "A empresa não nos deu outra alternativa. Só falaram que quem não fosse, teria que pedir a conta porque não iam mandar ninguém embora, nem fazer acordo", relatou uma funcionária que preferiu não se identificar.

O histórico de relação entre as trabalhadoras e a Gotalimpa é marcado por diversas queixas. Ex-funcionárias relataram atrasos no pagamento de salários, descontos indevidos e supressão de direitos trabalhistas. Uma trabalhadora com mais de dez anos de serviço afirmou nunca ter recebido adicional de insalubridade por limpar banheiros, apesar do direito garantido por lei.

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Disputa judicial pelo contrato

A empresa Gotalimpa presta serviços para a Prefeitura de Votorantim há sete anos. Com o encerramento do contrato em 2025, a empresa continuou atuando sob regime de contrato indenizatório até a conclusão do processo licitatório. A Gotalimpa concorreu na nova licitação aberta em 2025, mas foi desclassificada por não apresentar um software de gestão exigido no edital.

A empresa vencedora foi a Ambiental Sistemas De Limpeza. No entanto, em 27 de março, a Gotalimpa obteve na Justiça um mandado de segurança que suspendeu o novo contrato, alegando que seu recurso contra a desclassificação não havia sido avaliado. Com isso, a troca de empresas foi congelada e a Gotalimpa continuou atuando em caráter emergencial.

Situação de incerteza para as trabalhadoras

Durante este período de transição, as funcionárias começaram a receber comunicados de transferência para Sorocaba. Muitas que não tinham interesse em trabalhar em outra cidade começaram a considerar a possibilidade de pedir demissão. Paralelamente, a empresa Ambiental, que deveria assumir as escolas de Votorantim, começou a buscar conexão com essas funcionárias para futuras contratações.

"O comunicado eles deram dia 11 de março. A partir daí todo mundo começou a falar que ia pedir a conta e foi o que aconteceu. A nova empresa entrou em contato dia 17 e dia 19 pediram que mandasse a documentação. Mas agora falaram que ainda estão no aguardo da prefeitura para dar uma data de início", contou uma das funcionárias.

Conforme apurado, o aviso prévio de muitas dessas funcionárias terminou na sexta-feira, 10 de abril. Atualmente, elas seguem desempregadas e sem previsão de quando poderão voltar ao trabalho nas escolas de Votorantim.

Posicionamento das partes envolvidas

A Prefeitura de Votorantim foi questionada desde 28 de março sobre as razões para a troca de empresa e a situação do contrato, mas não enviou posicionamento até o fechamento desta reportagem.

A empresa Gotalimpa, por meio de sua assessoria jurídica, informou que continuará prestando os serviços até a decisão final do mandado de segurança e que, se for declarada vencedora da licitação, permanecerá de forma definitiva. Questionada sobre o número de funcionárias que pediram demissão e as denúncias de irregularidades trabalhistas, a empresa se recusou a informar o quantitativo, alegando ser uma "questão interna funcional".

A empresa Ambiental Sistemas De Limpeza e Conservação Ltda., que havia vencido a licitação, também foi contatada, mas não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.

A crise expõe fragilidades na gestão de contratos terceirizados e coloca em risco a estabilidade de trabalhadoras que dedicaram anos ao serviço público municipal, enquanto a disputa judicial segue sem solução definitiva.

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