Um estudo publicado pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA), da Alemanha, revelou que a redução da jornada de trabalho em cinco países europeus, entre 1995 e 2007, não resultou em queda do Produto Interno Bruto (PIB) nem em perda significativa de empregos. A pesquisa analisou França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia, e seus resultados contrastam com projeções frequentemente citadas no Brasil sobre os efeitos do fim da escala 6x1.
Metodologia e resultados
Os pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini utilizaram dados de 32 setores econômicos, excluindo áreas como agricultura, educação, saúde e artes, devido à alta proporção de trabalhadores autônomos ou do setor público. O corte em 2007 foi feito para evitar distorções causadas pela crise financeira de 2008. O estudo não encontrou evidências de que a redução da jornada tenha levado a uma redistribuição do trabalho ou a um aumento do emprego total, contrariando a teoria da "partilha do trabalho".
Impacto no PIB e salários
Apesar do aumento do custo da mão de obra por hora trabalhada, o PIB dos países analisados manteve um crescimento "relativamente robusto". Os efeitos sobre os salários por hora e o valor adicionado por hora trabalhada foram positivos, mas considerados "insignificantes" pelos autores. "É possível que, mesmo em um cenário clássico de oferta e procura, a redução do tempo de trabalho e o aumento do custo do trabalho por hora tenham sido rapidamente absorvidos", conclui o documento.
Comparação com o debate brasileiro
No Brasil, a discussão sobre o fim da escala 6x1 tem gerado projeções divergentes: enquanto alguns estudos apontam para redução do PIB e do emprego, outros indicam aumento de contratações devido à redução das horas trabalhadas. A pesquisa do IZA, no entanto, não valida nem a teoria da partilha do trabalho nem a visão de que a redução da jornada sem redução salarial levaria a perdas de postos de trabalho. "Nossos resultados não apoiam a visão de que reformas na jornada de trabalho padrão têm um efeito negativo significativo sobre o emprego", afirmam os pesquisadores.
Bem-estar e produtividade
Os estudiosos destacam que, além do emprego, é preciso considerar o bem-estar dos trabalhadores. "Se as reformas não prejudicarem os trabalhadores em termos de salários ou emprego, ao mesmo tempo que liberam mais tempo de lazer, pode-se argumentar que uma jornada mais curta leva a um aumento do bem-estar", concluem. Além disso, os retornos decrescentes para empresas em jornadas mais longas sugerem que uma semana de trabalho mais curta pode beneficiar as empresas em produtividade e na capacidade de atrair e reter talentos.



