O Morro de Ponta Aguda, localizado na zona rural de Itatim, a cerca de 98 km de Feira de Santana, é considerado um dos principais pontos para a prática de escalada na região e atrai esportistas de várias partes do país. O local foi palco de uma tragédia na tarde de terça-feira (28), com a morte do montanhista Igor Andreoni Barbabella de Oliveira, de 40 anos, que caiu de cerca de 80 metros durante uma escalada.
Características do Morro de Ponta Aguda
Com mais de 200 metros de altura e dificuldade técnica de escalada considerada moderada, o morro é conhecido pelas formações rochosas e pelas vias utilizadas por praticantes de escalada esportiva e montanhismo. O local também é frequentado por turistas que visitam a capela situada no pé da montanha ou fazem trilhas até o cume.
Segundo o secretário da Associação de Escaladores de Itatim (AEI), Cauí Vieira, as escaladas mais procuradas por visitantes ficam na face norte da montanha — lado oposto ao local onde ocorreu o acidente com Igor. "Em Itatim existem vias de escalada de todos os graus de dificuldade e exposição (periculosidade), desde escaladas simples para iniciantes e aprendizes até desafios mais difíceis e/ou mais exigentes para os mais experientes", informou Cauí.
Detalhes do acidente
O acesso até o início da área de escalada possui cerca de 500 metros de trilha, passando por áreas de vegetação e trechos rochosos. Igor e a companheira faziam a escalada pela via "Lisbela e o Prisioneiro", no lado sul da montanha. Segundo o secretário, o trecho é considerado de complexidade técnica intermediária tanto em dificuldade quanto em exposição.
Cauí informou ainda que outros acidentes já foram registrados na região, embora com baixa frequência, mas a morte de Igor foi a primeira registrada. Conforme o secretário, os casos anteriores envolveram falhas humanas ou uso inadequado de equipamentos.
A associação destacou que a escalada é considerada um esporte de risco e orientou praticantes a adotarem medidas de segurança, como utilização de equipamentos em bom estado, avaliação prévia das rotas, acompanhamento da previsão do tempo e contratação de guias especializados para iniciantes ou pessoas sem experiência. "Prepare-se fisicamente, tecnicamente e psicologicamente para as escaladas que deseja fazer. Faça uma boa avaliação dos riscos e considere voltar atrás caso não se sinta apto", orientou o secretário.
A queda do montanhista
Segundo a Polícia Militar, Igor Andreoni fazia uma escalada com a companheira quando se desequilibrou e caiu. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Itatim, Igor morreu no local. A principal suspeita é de que as cordas utilizadas durante a prática tenham se desprendido das rochas. As circunstâncias do acidente ainda são investigadas.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que guarnições do 16° Batalhão de Bombeiros Militar (16° BBM), com sede em Santo Antônio de Jesus, foram acionadas pela Central de Comunicações (Cicom). "Ao chegarem ao local, as equipes se depararam com uma área de difícil acesso, marcada por vegetação densa e grande quantidade de rochas. Para alcançar o ponto onde o corpo estava, foi necessário realizar a abertura de um acesso na região, garantindo a segurança da equipe durante toda a operação", informou o Corpo de Bombeiros.
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado pela Delegacia Territorial (DT) de Itatim e que não há indícios de crime. O corpo foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Itaberaba para passar por necropsia.
Associação de escaladores lamenta morte
A Associação de Escaladores de Itatim (AEI) lamentou a morte do montanhista e informou que a companheira dele está recebendo apoio. Em nota divulgada nas redes sociais, a associação também divulgou um relato atribuído à companheira da vítima. De acordo com o relato, a vítima fazia a subida da segunda enfiada da rota quando enfrentou problemas relacionados à rocha. A companheira do homem contou ainda que ouviu Igor gritar antes da queda e afirmou que a corda utilizada se arrebentou durante o acidente.
"Não sei se ele estava vendo a parada, se errou o caminho, se a garra quebrou, ou se só caiu mesmo. Eu só ouvi ele gritando ‘pega, pega’ e depois vi ele caindo pelo meu lado, sem eu nem sentir o tranco da queda no grigri [dispositivo de segurança para escalada esportiva]", diz um trecho do relato da companheira de Igor divulgado pela associação.
A AEI afirmou que novas informações poderão ser divulgadas posteriormente “com o objetivo de aprendizado e prevenção” e se solidarizou com os familiares e amigos do montanhista.
Quem era Igor Andreoni
Igor Andreoni era natural de Belo Horizonte, capital mineira. Ele praticava montanhismo havia anos e compartilhava com frequência registros das atividades esportivas que realizava. Apaixonado por esportes ao ar livre, Igor usava as redes sociais para mostrar escaladas, viagens e desafios em meio à natureza, muitas vezes ao lado da namorada, que o acompanhava no momento do acidente.
Publicações recentes indicavam que o casal estava na região justamente para a prática do montanhismo, atividade que fazia parte da rotina de Igor.



