Elon Musk garante controle vitalício sobre a SpaceX
Vídeos em alta no g1 revelam que Elon Musk não pode ser destituído dos cargos de diretor-executivo (CEO) e presidente do conselho da SpaceX sem o seu próprio consentimento. A informação consta em um trecho do documento preparado pela empresa para sua abertura de capital, analisado pela Reuters.
De acordo com o documento, Musk “só pode ser removido do nosso conselho ou dessas posições pelo voto dos detentores de ações Classe B” — papéis que conferem direito a dez votos cada. Após o IPO, essas ações ficarão sob controle do bilionário. Na prática, isso significa que qualquer decisão sobre sua saída dependeria de uma votação dominada pelo próprio Musk.
O documento acrescenta que, se ele “mantiver uma parcela significativa de suas ações ordinárias Classe B por um longo período, poderá continuar controlando a eleição e a destituição da maioria do nosso conselho”.
Como funciona a estrutura de ações da SpaceX?
A regra faz parte da estrutura acionária que a SpaceX pretende adotar ao abrir capital. Nesse modelo, a empresa terá duas classes de ações — uma para investidores do mercado e outra com maior poder de voto, destinada a pessoas ligadas à companhia. Esse tipo de estrutura é comum em empresas de tecnologia lideradas por fundadores. Mesmo nesses casos, porém, o conselho de administração normalmente mantém a autoridade formal para substituir o diretor-executivo.
Especialistas em governança corporativa dizem que o impacto da regra dependerá dos detalhes dos documentos legais da empresa. Consideradas em conjunto, as disposições dariam a Musk poder para barrar qualquer tentativa de removê-lo do comando da empresa.
A própria SpaceX alertou investidores de que essa estrutura “limitará ou impedirá sua capacidade de influenciar questões corporativas e a eleição de nossos diretores”.
“Essa disposição não é comum. Normalmente, a remoção do CEO é uma decisão do conselho, e controladores contam com seu poder para substituir o conselho”, afirmou Lucian Bebchuk, professor da Faculdade de Direito de Harvard que pesquisa governança corporativa, direito e finanças.
A SpaceX e Musk não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.
1 de 1 Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 — Foto: AP Photo/Markus Schreiber
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