Ibovespa cai com tensão no Oriente Médio e dados de inflação e PIB
Ibovespa cai com Oriente Médio, prévia do PIB e Focus

O Ibovespa opera em baixa nesta segunda-feira, 18, pressionado por fatores externos e internos. O mercado monitora os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que eleva o preço do petróleo e acende alertas sobre a inflação global. No Brasil, a prévia do PIB (IBC-Br) veio abaixo do esperado, enquanto o Boletim Focus mostrou novas altas nas projeções para a inflação e a Selic no fim de 2026. Por volta das 11h15, o principal índice da B3 recuava 0,54%, aos 176.393,12 pontos.

Tensão geopolítica impulsiona petróleo

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que respondeu à proposta mais recente dos Estados Unidos para encerrar a guerra e que as negociações continuam. A declaração ocorre após novas ameaças do presidente americano Donald Trump. “Como anunciamos ontem, nossas preocupações foram transmitidas à parte americana”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, em entrevista coletiva. Segundo a imprensa iraniana, as exigências americanas foram consideradas excessivas, mas Baghaei limitou-se a afirmar que as conversas “continuam por meio do mediador paquistanês”.

No domingo, Trump afirmou na Truth Social que o “tempo está se esgotando” para o Irã, alertando que é “melhor eles se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles”. O recado ocorre dias após a reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, na qual ambos concordaram que Teerã não deve possuir armas nucleares. Esse cenário de incerteza elevou o petróleo, que chegou a superar US$ 111 por barril no início da manhã.

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Impacto no mercado doméstico

Segundo Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, a queda do mercado reflete a aversão ao risco dos investidores diante da possibilidade de inflação mais persistente. “O mercado voltou a ficar preocupado com os dados de inflação e com o fato de que esse preço mais elevado do barril de petróleo pode gerar um impacto mais duradouro sobre os índices inflacionários”, afirma.

Esse receio já se reflete no Boletim Focus, que elevou as expectativas para a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,25% ao ano. Apesar disso, o número ainda representa uma redução em relação ao patamar atual de 14,5%. No entanto, o corte esperado agora é menor do que o previsto no início do ano, quando a expectativa era de Selic em 12%. A manutenção de juros elevados está relacionada à previsão de inflação de 4,92% ao fim de 2026, acima do teto da meta.

IBC-Br fraco e perspectivas

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,7% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava recuo de 0,4%. Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o dado mais fraco da atividade econômica pode aliviar parte da pressão inflacionária e abrir espaço para juros menores no futuro. Por outro lado, o Focus trouxe leve deterioração das expectativas inflacionárias e elevou a projeção da Selic para 13,25%, indicando que o mercado segue desconfiado da capacidade do Banco Central de conduzir a inflação de volta à meta. “A economia dá sinais de desaceleração, mas a inflação ainda preocupa. Isso mantém o Banco Central em posição de cautela e reforça o cenário de juros elevados por mais tempo”, conclui Spyer.

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