Com o orçamento cada vez mais apertado, cresce a busca por renda extra entre os brasileiros. Uma pesquisa recente revelou que 45% das pessoas procuraram alternativas para ganhar mais dinheiro nos últimos meses, reflexo direto do alto endividamento das famílias e da inflação persistente.
Endividamento compromete quase um terço da renda
O pagamento de dívidas já consome 29% da renda das famílias brasileiras, segundo dados do mercado financeiro. O índice de desconforto de crédito atingiu 0,94, considerado muito alto, indicando que a maioria dos consumidores está com dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.
O especialista em finanças Hulisses Dias analisa que a situação econômica atual força as pessoas a buscarem fontes adicionais de renda para equilibrar as contas. "Com a inflação elevada e o desemprego ainda alto, muitas famílias recorrem ao crédito rotativo do cartão, que tem juros altíssimos, e depois precisam de uma renda extra para sair do ciclo de endividamento", explica.
Alternativas mais comuns para ganhar mais
Entre as principais formas de renda extra citadas pelos entrevistados estão:
- Trabalhos freelancer e bicos em áreas como construção civil, serviços domésticos e eventos
- Venda de produtos caseiros, como doces, salgados e artesanato
- Atuação como motorista de aplicativo ou entregador
- Aluguel de imóveis ou quartos por temporada
- Revenda de roupas e acessórios em plataformas digitais
O levantamento mostra que a maioria dos que buscam renda extra são mulheres (52%) e jovens entre 25 e 34 anos (38%). A região Nordeste lidera o ranking, com 51% dos moradores afirmando ter procurado alternativas para aumentar o ganho mensal.
Impacto da inflação e do crédito
O mercado financeiro elevou a estimativa de inflação para 2026, o que deve pressionar ainda mais o orçamento familiar. Enquanto isso, as famílias recorrem cada vez mais ao rotativo do cartão de crédito, uma das modalidades mais caras do sistema financeiro.
"O rotativo é um sinal de alerta. Quando as pessoas usam o cartão para pagar contas do dia a dia e não conseguem quitar o valor total da fatura, entram em um ciclo vicioso de juros", alerta Dias. Ele recomenda que, antes de buscar renda extra, o consumidor tente renegociar as dívidas e cortar gastos supérfluos.
Desigualdade de gênero também afeta a renda
Outro fator que contribui para a busca por renda extra é a desigualdade salarial. Dados recentes mostram que as mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que os homens no Brasil, o que as leva a procurar complementos de renda com mais frequência.
Para quem deseja aumentar a renda, o especialista sugere planejamento: "Não adianta pegar qualquer bico sem calcular se vale a pena. É preciso considerar o tempo gasto, o custo de transporte e se a atividade não vai comprometer a saúde ou a vida familiar".
A tendência é que a busca por renda extra continue crescendo enquanto a economia não apresentar sinais consistentes de recuperação. Até lá, os brasileiros terão que se desdobrar para fechar as contas no azul.



