Como resolver a guerra do ar condicionado corporativo com tecnologia inteligente
Solução tecnológica para guerra do ar condicionado em escritórios

A guerra silenciosa pelo controle do ar condicionado nos escritórios

Quem nunca presenciou aquele conflito discreto, porém intenso, pelo controle do ar condicionado no ambiente de trabalho? De um lado, os colaboradores que sentem frio constante e precisam usar casacos mesmo durante os dias mais quentes do verão paulistano. Do outro, aqueles que reclamam incessantemente do calor e insistem em baixar a temperatura ao mínimo possível. Essa disputa aparentemente banal, que afeta a produtividade e o bem-estar nas empresas, possui explicações fisiológicas profundas e, felizmente, soluções tecnológicas inovadoras.

A ciência por trás da sensação térmica

"Refrigeração é sensação", esclarece Mateus Orsini, presidente da Vulp Air, empresa especializada em climatização inteligente para o mercado corporativo. "O sentimento de calor ou de frio representa você roubar ou perder calor para o ambiente. Tudo na natureza tende ao equilíbrio térmico." Esse princípio fundamental da termodinâmica ajuda a compreender por que uma mesma temperatura pode ser completamente insuportável para uma pessoa enquanto permanece perfeitamente confortável para outra.

Segundo Orsini, a Organização Mundial da Saúde estabelece entre 24°C e 26°C a faixa ideal de conforto térmico para um ser humano adulto em repouso. No entanto, esse parâmetro varia significativamente conforme o ambiente e o tipo de atividade realizada. Em uma academia, por exemplo, a temperatura recomendada cai para entre 20°C e 23°C, porque a carga térmica do corpo em movimento é muito mais elevada. Já nos escritórios, onde as pessoas permanecem horas sentadas, o intervalo sugerido pela OMS geralmente funciona adequadamente — desde que o sistema de climatização seja gerenciado de forma correta e inteligente.

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Os problemas da climatização tradicional

O grande desafio é que, na maioria das empresas brasileiras, o ar condicionado simplesmente não recebe o gerenciamento adequado. Quem chega cedo ao escritório e o encontra vazio experimenta uma sensação de frio muito mais intensa do que aqueles que chegam no meio do dia, quando a sala está repleta de pessoas e a carga térmica acumulada pelos corpos presentes é consideravelmente maior.

Além disso, mudanças frequentes no layout corporativo — como a criação de novas salas, a instalação de equipamentos eletrônicos adicionais ou o simples aumento no número de funcionários — podem desequilibrar completamente projetos de climatização elaborados décadas atrás. "É extremamente comum um projeto realizado há vinte anos ter sofrido alterações significativas no layout, com o arquiteto esquecendo de revisar o sistema de climatização. Consequentemente, o ar não funciona adequadamente — mas não se trata de defeito técnico, e sim da desconexão com o projeto original", explica Orsini.

A solução tecnológica da climatização inteligente

A solução proposta pela Vulp Air passa pela automação inteligente e personalizada do sistema de climatização. No modelo oferecido pela empresa, o perfil térmico de cada ambiente é definido durante uma conversa inicial com o responsável pelas instalações ou de Recursos Humanos, sendo programado posteriormente de forma completamente individualizada.

O sistema opera automaticamente: o ar condicionado liga às 9h da manhã em 26°C, desce gradualmente para 18°C durante o pico do meio-dia, e sobe novamente ao final da tarde conforme o escritório vai esvaziando. Tudo ocorre de maneira automática, sem que nenhum colaborador precise tocar em controles ou termostatos. "Durante a implantação, realizamos essa programação inicial. Uma semana depois, se houver reclamações, retornamos ao local e ajustamos os parâmetros conforme necessário", detalha Orsini.

Para redes empresariais com operações distribuídas por todo o território nacional, como farmácias com lojas desde Recife até Porto Alegre, os perfis climáticos podem ser completamente diferentes por unidade — afinal, as condições climáticas do Nordeste não se assemelham às de São Paulo.

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O futuro: climatização conectada à previsão do tempo

O próximo passo evolutivo consiste em conectar os sistemas de climatização a bases de dados meteorológicos em tempo real. A tecnologia, ainda em fase de desenvolvimento avançado na empresa, permitirá antecipar o funcionamento dos equipamentos com base nas previsões climáticas precisas. Se o dia seguinte promete ser mais quente que o habitual, o sistema começará a resfriar o ambiente antes do horário programado normalmente. "A probabilidade de acerto nas previsões com um dia de antecedência é absurdamente alta", afirma Orsini com convicção.

Esse nível sofisticado de automação elimina tanto a guerra humana pelo controle remoto quanto o desperdício energético significativo gerado pela regulagem manual e imprecisa dos aparelhos convencionais.

Modelo de negócio por assinatura e economia energética

O modelo de negócio da Vulp Air funciona através de assinatura mensal — um formato ainda incomum no setor de climatização brasileiro. Em vez de vender equipamentos diretamente, a empresa assume responsabilidade integral por toda a cadeia: projeto personalizado, instalação profissional, manutenção preventiva e corretiva, monitoramento contínuo e substituição programada de equipamentos. O cliente transforma assim um alto investimento em infraestrutura (CAPEX) em uma despesa operacional previsível (OPEX).

A promessa de economia é realmente significativa: sem nenhum tipo de automação, a redução no consumo de energia pode alcançar 20%; com a automação inteligente dos sistemas, essa economia pode chegar a impressionantes 50%. Orsini calcula que, para uma rede de farmácias com sete máquinas por loja, a mensalidade paga pela assinatura pode ser praticamente coberta pela economia obtida na conta de energia elétrica.

Crescimento exponencial e mercado potencial

Fundada como evolução natural da Colortel — empresa com mais de cinquenta anos de experiência consolidada em gestão de ativos —, a Vulp Air foi assumida por Orsini em 2022, quando o faturamento mensal recorrente atingia R$ 6,9 milhões e a base contava com aproximadamente 1.800 clientes. Em 2025, a receita anual alcançou a marca de R$ 132 milhões, com crescimento orgânico impressionante de 81% entre o final de 2023 e 2025. A empresa projeta agora dobrar esse ritmo de crescimento durante 2026.

Atualmente, com mais de 2.500 clientes corporativos, 150 mil equipamentos em operação contínua e 400 colaboradores distribuídos por todo o Brasil, a Vulp Air aposta firmemente que o mercado de climatização B2B — estimado em R$ 35 bilhões anuais — ainda mal começou a ser explorado através do modelo de serviço contínuo por assinatura. "Todo empreendimento que considera o ar-condicionado como missão crítica, mas que não possui essa especialização como parte do seu core business, representa nosso cliente potencial", resume Orsini de maneira estratégica.