Genética zebuína de Uberaba é exportada para 40 países e atrai delegações internacionais
Genética zebuína de Uberaba exportada para 40 países

A cidade de Uberaba, conhecida como a capital mundial do Zebu, tornou-se um polo global de exportação de genética bovina. Do município mineiro saem doses de sêmen e embriões que ajudam a formar rebanhos na América Latina, África e Ásia. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), o Brasil possui mercado aberto para exportação de material genético bovino em cerca de 40 países, e Uberaba concentra a maior parte das empresas habilitadas para esse tipo de comércio.

Hub global de genética

O sucesso da genética zebuína brasileira é resultado de um rigoroso sistema sanitário e de um polo tecnológico que fez de Uberaba um verdadeiro hub global do setor. "Não é por acaso que Uberaba concentra a maioria das empresas exportadoras de genética do país. Aqui existe um volume muito grande de tecnologia, ciência e mão de obra altamente qualificada", afirmou Raquel Dal Secco Borges, supervisora do Departamento Internacional da ABCZ.

Somente na última semana, a Zebuembryo, uma das seis centrais de genética exportadoras de sêmen e embriões sediadas em Uberaba, recebeu uma delegação formada por empresários e técnicos de 11 países da África e da Ásia, incluindo Egito, Sudão, Etiópia, Tanzânia, Zâmbia, Nigéria, Quênia e Bangladesh. A visita fez parte de uma agenda para conhecer de perto os avanços brasileiros em reprodução animal. Durante a ExpoZebu, a cidade chega a receber representantes de 50 a 60 países, confirmando seu papel estratégico no comércio internacional de genética bovina.

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Exportação cresce, mas mercado interno segue forte

Apesar do peso do mercado externo, a genética produzida em Uberaba também abastece fortemente o Brasil. Em 2025, a Zebuembryo produziu mais de 20 mil embriões, dos quais cerca de 60% ficaram no mercado interno e 40% foram destinados à exportação. De todo o material de melhoria genética do zebu brasileiro que vai para fora do país, estima-se que cerca de 70% saem de Uberaba, de acordo com a ABCZ. A cidade concentra seis centrais de genética exportadoras de sêmen e embriões, sendo as principais centrais brasileiras.

De acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), em 2025 foi o primeiro ano em que o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de doses de sêmen exportados. Os números mostram crescimento significativo: em 2025, a exportação total foi de 1.118.334 doses, alta de 34,2% em relação a 2024, quando foram exportadas 833.276 doses. A exportação de sêmen de corte subiu 28,8%, passando de 464.905 para 598.718 doses, enquanto a de leite cresceu 41%, de 368.371 para 519.616 doses. A entidade disponibiliza dados abertos de exportação de sêmen desde 2009, mas não possui dados apurados de exportação de embriões.

O interesse estrangeiro cresce impulsionado, principalmente, pela adaptação do zebu às condições tropicais. "O Brasil vem se tornando referência mundial em genética tropical, especialmente na produção de leite. Isso chama atenção de países com clima semelhante ao nosso", explicou Humberto Rosa, diretor de negócios da Zebuembryo.

Uberaba: um polo visto como referência mundial

Uberaba virou destino obrigatório de quem busca genética zebuína de ponta. A Zebuembryo, por exemplo, recebeu visitantes de 24 nacionalidades diferentes apenas no último ano. "Uberaba é a Disney do Zebu. Com o trabalho da ABCZ e com eventos como a ExpoZebu e a Expogenética, a cidade se consolidou como uma referência internacional", afirmou Humberto Rosa. Nos últimos três anos, a empresa exportou embriões para 15 países da América Latina e da África e, recentemente, iniciou operações na Ásia. Um dos marcos foi a exportação de genética zebuína brasileira para a Índia, país de origem histórica da raça. "Foi simbólico ver a genética zebuína brasileira voltando para a Índia, agora com o padrão tecnológico desenvolvido aqui", disse Rosa.

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Como funciona a exportação da genética zebuína

Antes que uma dose de sêmen ou um embrião cruzem fronteiras, o caminho é longo. A exportação só acontece depois da assinatura de acordos sanitários bilaterais entre o Brasil e o país importador. Esses acordos definem regras detalhadas sobre exames, testes de doenças, quarentenas e padrões de qualidade do material genético. "Não podemos exportar sem um acordo sanitário. Cada país estabelece exigências próprias, que podem viabilizar ou inviabilizar o comércio e até encarecer o produto", explicou Raquel Dal Secco Borges. Essas negociações são conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio do setor produtivo. A ABCZ atua como facilitadora técnica e diplomática, trabalhando junto a autoridades brasileiras e estrangeiras para tornar os protocolos viáveis na prática. Além disso, a associação mantém parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do projeto Brazilian Cattle, que promove a genética nacional no exterior e aproxima compradores internacionais das empresas exportadoras.