IG4 assume controle da Braskem em modelo de governança híbrida
A IG4 entrou no controle da Braskem, mas não por meio de uma compra tradicional. A gestora de private equity herdou poder de voto condicionado a acordos com os bancos credores, criando uma estrutura de governança híbrida. Nesse arranjo, as decisões estratégicas dependerão do alinhamento entre a IG4 e instituições financeiras com interesses distintos, o que pode se tornar um nó difícil de desatar.
Os passivos da empresa continuam pesados. O caso de Maceió, com bairros que afundaram e indenizações bilionárias, ainda assombra o balanço da Braskem e ameaça corroer qualquer tentativa de recuperação. Apesar de ser quase monopolista em resinas no Brasil, a mudança de controle mexe com preços, contratos e até políticas industriais.
Bancos públicos mencionam um “impacto sistêmico positivo”, mas a questão central é como a IG4 equilibrará os interesses de acionistas, clientes e governo em um setor tão sensível. Além disso, a internacionalização é um fator relevante: as operações nos Estados Unidos e no México podem reposicionar a empresa globalmente. O futuro da Braskem pode estar menos em Camaçari e mais em Houston.



