Ibovespa atinge recorde nominal com tensões EUA-UE e cenário político local
Ibovespa bate recorde com tensões EUA-UE e cenário político

Ibovespa atinge pico histórico em meio a tensões globais e cenário político doméstico

O mercado financeiro brasileiro vive um momento de euforia nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, com o Ibovespa registrando um recorde histórico intradiário. Por volta das 11h30, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira subia expressivos 1,74%, alcançando a marca de 169.174 pontos. Esse desempenho robusto ocorre em um contexto global marcado por tensões comerciais e geopolíticas entre os Estados Unidos e a União Europeia, além de fatores locais relacionados ao cenário político eleitoral.

Cenário internacional: guerra comercial e disputa pela Groenlândia

De acordo com analistas do mercado, o investidor estrangeiro demonstra preocupação com a guerra comercial que se desenha entre os Estados Unidos e a União Europeia. As tensões escalaram recentemente devido a declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que reacendeu a polêmica sobre a Groenlândia. Em discurso, Trump afirmou que o território, rico em terras raras, é vital para os interesses dos EUA, especialmente para o sistema antimísseis Iron Dome.

O republicano chegou a criticar a Dinamarca, alegando ingratidão histórica, e reforçou a ideia de que a Groenlândia deveria ser considerada território norte-americano. Em resposta, países europeus como Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia enviaram tropas para a ilha, acirrando ainda mais o conflito.

Como retaliação, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 10% para oito nações europeias caso se oponham à anexação. O bloco europeu, por sua vez, discute um pacote de respostas que pode incluir tarifas sobre importações dos EUA no valor de 93 bilhões de euros, com possível vigência a partir de 6 de fevereiro.

Impacto nos mercados emergentes

Essas tensões comerciais e bélicas têm afastado investidores dos mercados desenvolvidos, redirecionando fluxos de capital para países emergentes, como o Brasil. Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, explica que a incerteza global favorece ativos de economias em desenvolvimento, que passam a ser vistos como refúgios em meio à turbulência.

No entanto, é importante ressaltar que o recorde alcançado pelo Ibovespa é nominal. Para atingir um recorde real, corrigido pela inflação, o índice precisaria superar a faixa dos 180 mil pontos. Paralelamente, o dólar apresentava recuo de 0,84%, negociado a 5,331 reais.

Fatores locais: pesquisa eleitoral aquece o mercado

Além do cenário internacional, o mercado financeiro brasileiro também reage a desenvolvimentos políticos internos. A mais recente pesquisa AtlasIntel revelou uma redução significativa na distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para a eleição presidencial.

Enquanto em dezembro a diferença era de 12 pontos percentuais, agora está abaixo de 5 pontos, com Lula registrando 49,2% e Flávio Bolsonaro, 44,9%. Segundo Gabriel Mollo, essa mudança no cenário eleitoral sugere que a disputa será muito mais competitiva do que se imaginava, o que tende a animar investidores que buscam estabilidade e previsibilidade.

Perspectivas e considerações finais

O desempenho do Ibovespa reflete uma combinação única de fatores:

  • Tensões geopolíticas entre EUA e Europa, com risco de escalada comercial e militar.
  • Migração de capital para mercados emergentes em busca de oportunidades.
  • Cenário político doméstico mais equilibrado, indicando eleições acirradas.

Embora o momento seja de otimismo, especialistas alertam para a volatilidade inerente a esses contextos. A evolução das negociações entre EUA e Europa, assim como os desdobramentos da campanha eleitoral brasileira, serão determinantes para a trajetória do mercado nas próximas semanas.