Ibovespa alcança máxima histórica com forte entrada de capital estrangeiro
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em alta expressiva de 1,40% nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, alcançando a marca histórica de 191,4 mil pontos. Este novo recorde intradiário representa uma reversão completa do cenário pessimista observado na véspera, demonstrando a resiliência e atratividade do mercado nacional.
Blue chips lideram valorização com influxo de recursos externos
O movimento ascendente é impulsionado principalmente pelo fluxo de capital estrangeiro que tem adentrado o mercado brasileiro com força renovada. Os investidores internacionais estão direcionando seus recursos para as chamadas blue chips, empresas de grande porte e sólida fundamentação, que compõem a espinha dorsal do índice.
Entre as principais beneficiárias deste movimento estão:
- Petrobras (PETR4): registrou alta de 2,54%
- Vale (VALE3): valorizou-se em 0,39%
- Grandes instituições financeiras: Santander (SANB11) liderou os ganhos com impressionante alta de 3,41%, seguido por Itaú (ITUB4) com avanço de 1,52%, Banco do Brasil (BBAS3) com subida de 1,08% e Bradesco (BBDC4) com valorização de 0,80%
Dólar atinge menor patamar em quase dois anos
Paralelamente ao desempenho excepcional das ações, o dólar comercial apresentou queda significativa, encerrando a sessão cotado a 5,15 reais. Este valor representa o menor patamar observado desde maio de 2024, quase dois anos atrás, indicando uma tendência de desvalorização da moeda americana frente ao real.
Segundo análise de Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, "O Brasil se consolida como um dos portos mais seguros e com boas empresas para esse cenário de apetite ao risco em países emergentes". O especialista atribui a tendência de queda do dólar a três fatores principais:
- Tarifas adicionais impostas pela administração Trump
- Tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã
- Maior disposição dos investidores para assumir riscos em economias emergentes
Contexto internacional: tarifas de Trump e volatilidade global
O noticiário econômico internacional continua com foco nas medidas protecionistas do governo norte-americano. O presidente Donald Trump implementou tarifa adicional de 10% sobre produtos importados não contemplados por exceções, medida que entra em vigor imediatamente.
Embora esta alíquota de 10% tenha favorecido o desempenho das bolsas tanto no Brasil quanto no exterior, especialistas alertam para potenciais fontes de volatilidade:
- Possíveis dissoluções de acordos comerciais vigentes
- Pedidos bilionários de reembolso por parte de importadores afetados
- Incertezas quanto à evolução das relações comerciais internacionais
Este cenário complexo demonstra como fatores externos continuam exercendo influência decisiva sobre os mercados financeiros brasileiros, mesmo quando indicadores domésticos apresentam desempenho robusto. A combinação entre entrada de capital estrangeiro, valorização das principais empresas nacionais e contexto internacional favorável criou o ambiente perfeito para este novo recorde histórico do Ibovespa.