A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) dos Estados Unidos está investigando uma série de negociações suspeitas envolvendo contratos futuros de petróleo, no valor total de US$ 800 milhões. As transações ocorreram momentos antes de o presidente Donald Trump anunciar, em sua rede social Truth Social, o adiamento de ataques planejados contra o Irã. A denúncia foi publicada pelo jornal Wall Street Journal (WSJ), que vem acompanhando os ganhos especulativos atípicos no mercado de petróleo.
Movimentações suspeitas antes do anúncio de Trump
De acordo com o WSJ, uma onda de negociações atingiu o mercado fora do horário comercial pouco antes da postagem matinal de Trump em 23 de março. Mais de US$ 800 milhões em contratos futuros de petróleo, tanto americanos quanto internacionais, mudaram de mãos em questão de minutos, segundo dados da LSEG, empresa que computa os negócios nas bolsas de futuros. A CFTC, criada em 1974 para regular os mercados de futuros e opções, está analisando os registros dessas transações para identificar possíveis casos de uso de informação privilegiada (inside information).
Contexto regulatório e riscos inflacionários
Desde a crise financeira de 2007-2008 e a implementação da Lei Dodd-Frank em 2010, a CFTC tem exigido maior transparência e adotado regulação mais estrita sobre o mercado de swaps multimilionários. O cenário atual, com tensões geopolíticas no Oriente Médio, tem gerado volatilidade nos preços do petróleo. Nesta quarta-feira, o contrato futuro do Brent para julho caiu 6%, para US$ 105,38, após o Irã anunciar a facilitação da passagem de 30 navios pelo Estreito de Ormuz. As baixas se acentuaram para todos os vencimentos até julho de 2027.
Impactos no Brasil
O Ministério da Fazenda, em atitude realista, reajustou suas projeções para a inflação. O IPCA foi elevado para 4,50% (teto da meta), e o INPC, que reajusta o salário mínimo, subiu para 4,75%. Em compensação, com a alta do petróleo, a arrecadação fiscal aumentou, reduzindo o déficit primário de 2026 de R$ 59,02 bilhões para R$ 57,82 bilhões. A consultoria 4intelligence revisou sua projeção para o IPCA em 2026 de 5% para 5,2%, considerando os impactos da alta do petróleo e do El Niño. Para 2027, a projeção foi ajustada de 4,2% para 4,3%.
Pressões de custos e cenário econômico
A atividade industrial mostra robustez, mas as pressões de custos se acumulam. O impacto do conflito não se limita aos combustíveis, afetando diversos insumos. A expectativa é que parte dessas pressões arrefeça com a reabertura do Estreito de Ormuz e a descompressão dos preços do petróleo. Por ora, a trajetória da inflação preocupa mais do que o risco de esfriamento da atividade econômica.



