Ouro sobe e petróleo cai: entenda o 'efeito Trump' nos mercados em 2026
Efeito Trump no ouro e petróleo: mercados em direções opostas

Os mercados internacionais de commodities apresentam um cenário de contrastes no início de 2026, com o ouro e a prata em valorização, enquanto o petróleo registra quedas significativas. Este movimento divergente reflete diferentes fundamentos econômicos e geopolíticos em jogo, com a política externa dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump atuando como um dos principais catalisadores.

Petróleo em queda: intervenção na Venezuela amplia oferta

O recuo nos preços do barril de petróleo está diretamente ligado a uma expectativa de aumento da oferta global. Segundo análise de Bruno Perri, economista-chefe da Fórum Investimentos, o mercado passou a precificar uma produção maior no médio prazo após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.

Essa movimentação geopolítica, associada ao governo Trump, sinaliza um possível fluxo mais robusto de petróleo venezuelano para o mercado internacional, o que exerce uma pressão de baixa sobre as cotações. O efeito já é perceptível inclusive no desempenho das ações da Petrobras na bolsa de valores.

Ouro em alta: o refúgio em tempos de incerteza

Enquanto o petróleo cede, o ouro segue a trajetória oposta, reforçando seu status histórico de ativo de proteção. Perri explica que o metal precioso, assim como a prata, ganha força justamente em períodos de elevada incerteza geopolítica e econômica.

Além da busca por segurança por parte dos investidores, um movimento estrutural tem sustentado a demanda: bancos centrais e investidores institucionais vêm alterando a composição de suas reservas. Instituições como o Banco Central do Brasil têm aumentado a participação em ouro, uma reação diante de uma política econômica americana considerada mais errática.

Minério e cobre: apostas no ciclo econômico emergente

A alta observada no minério de ferro e no cobre conta outra parte da história. De acordo com Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, esses metais industriais refletem expectativas de uma atividade econômica mais forte nos países emergentes em 2026, mesmo com a desaceleração global ainda em curso.

Indicadores recentes, especialmente da China, como intenção de compra e sinais de novos estímulos econômicos, ajudam a sustentar os preços. Agostini ressalta, no entanto, que esse cenário não necessariamente indica uma trajetória de alta contínua e ininterrupta para esses commodities.

Em resumo, o cenário atual dos mercados de commodities é um termômetro de sentimentos distintos: o petróleo precifica uma realidade geopolítica de maior oferta, impulsionada pela ação americana; o ouro atrai capital em busca de um porto seguro contra as turbulências; e os metais industriais miram a recuperação cíclica das economias em desenvolvimento. O "efeito Trump", portanto, se manifesta de formas complexas e por vezes opostas, desenhando um panorama financeiro multifacetado para o ano de 2026.