O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a lançar o Desenrola 2.0, uma nova rodada de renegociação de dívidas que promete descontos expressivos para aliviar o orçamento dos brasileiros. A medida, que deve ser anunciada ainda esta semana, surge em meio ao aumento do endividamento das famílias e à proximidade das eleições, sendo vista como uma aposta para melhorar a popularidade do presidente. Confira as principais perguntas e respostas sobre o programa.
1. Por que o governo quer lançar o Desenrola 2.0?
A iniciativa é uma resposta ao cenário de pressão sobre a renda das famílias. Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica. A inadimplência também cresce, especialmente em cartão de crédito e empréstimos pessoais. Pesquisa Datafolha indica que 59% dos brasileiros têm dificuldades para viver com a renda, e quase metade recorreu a fontes extras de ganho recentemente. O programa busca reduzir a inadimplência e melhorar o poder de compra, além de servir como alavanca eleitoral para Lula, que vê o adversário Flávio Bolsonaro crescer nas pesquisas.
2. Quem poderá participar?
Em uma primeira fase, o Desenrola 2.0 será voltado a pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos. Posteriormente, a proposta prevê a inclusão de microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas. A prioridade será para a população de menor renda, incluindo beneficiários de programas sociais. As negociações serão feitas diretamente com os bancos, com garantia do governo federal.
3. Quais dívidas poderão ser renegociadas?
A proposta em elaboração abrange dívidas bancárias de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com mais de três meses de atraso. Ficam de fora, inicialmente, empréstimos consignados e financiamentos imobiliários.
4. Quais são os descontos e condições?
Os descontos podem variar de 20% a 90% sobre o valor total das dívidas, incluindo encargos. Os novos financiamentos terão juros abaixo de 2% ao mês. Além disso, será permitido usar até 20% do saldo do FGTS para quitar os débitos.
5. De onde virá o dinheiro para bancar os descontos?
O governo prevê um aporte de cerca de 10 bilhões de reais do Tesouro Nacional. Esse montante ajudará a viabilizar os descontos e reduzir o risco de inadimplência para os bancos.
6. O que ainda não está definido?
Há pontos em aberto, como a criação de uma linha de garantias para trabalhadores informais e a possibilidade de estabelecer um prazo de carência para o início dos pagamentos. Também está em discussão a inclusão de restrições ao uso de apostas on-line por participantes do programa, mas a medida enfrenta dúvidas jurídicas e ainda não foi fechada.
7. Qual é o tamanho do problema que o programa tenta resolver?
O Brasil tem 82,8 milhões de inadimplentes. Desconsiderando financiamentos imobiliários, cerca de 31% da renda das famílias está comprometida com dívidas. A inadimplência no crédito livre gira em torno de 7% dos contratos, em alta na comparação com o ano anterior, indicando piora na capacidade de pagamento.
8. Quando o programa será lançado?
O anúncio oficial está previsto para 1º de maio, Dia do Trabalhador, mas o governo ainda revisa os pontos mais sensíveis da proposta. A expectativa é que o programa funcione como uma das principais apostas para enfrentar o endividamento recorde, aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e impulsionar a popularidade de Lula às vésperas da eleição.



