Copom sinaliza alta de juros com inflação e petróleo em disparada
Copom sinaliza alta de juros com inflação e petróleo

Copom enfrenta sinais altistas na inflação e petróleo em alta

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide nesta quarta-feira a nova redução da taxa Selic, com o mercado prevendo um corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, o cenário inflacionário apresenta sinais de alerta, com o contrato do petróleo Brent para julho subindo mais de 5%, negociado a US$ 109,50 por barril. O mercado aguarda também a avaliação do Federal Reserve, às 15h, a última sob a presidência de Jerome Powell, cujo mandato termina em 15 de maio, para avaliar a tendência futura que será anunciada pelo Copom.

A consultoria 4intelligence observou sinais positivos no IPCA-15, divulgado ontem, e revisou de 0,75% para 0,65% a previsão de alta do IPCA cheio, devido à queda nas passagens aéreas (estimada em 14,32%) e aumentos menores que os esperados para combustíveis. Contudo, a alta de 2,73% no IGP-M de março trouxe alertas em alimentos e preços no atacado, que devem ser examinados com cautela pelo Copom.

Inflação futura e compromisso com rigor monetário

Os dados da inflação futura projetam aumento da taxa no horizonte do segundo trimestre de 2027, o que deve levar o Copom a reafirmar o compromisso com o rigor monetário. A 4intelligence revisou a projeção do IPCA do ano de 4,9% para 5,0% e avalia que o Banco Central reconhecerá que o ambiente de elevada incerteza exige cautela na determinação do ritmo e duração do ciclo de calibração de juros. Assim, o Copom evitaria apontar uma assimetria altista no balanço de riscos para a inflação e não deverá se comprometer com qualquer trajetória explícita para a Selic. A consultoria continua projetando redução da taxa básica de juros em 25 pontos-base por reunião até chegar a 13,5% ao ano, em novembro. O Itaú prevê 13,25% e o Bradesco, 12,50%.

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Um dado destacado pela 4intelligence é que a metodologia do IBGE coleta os preços das passagens aéreas compradas com dois meses de antecedência. Ou seja, o importante reajuste anunciado pela Petrobras em abril para o querosene de aviação (em torno de 55%) – embora a empresa esteja cobrando parcial e parceladamente pelo combustível – poderá aparecer mais claramente no IPCA a partir de junho e julho.

Santander Brasil registra segundo maior lucro do grupo

O Banco Santander registrou lucro operacional recorde de 3,560 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 12%. O lucro total do banco controlado por Ana Botín, que atende 176 milhões de clientes, alcançou 5,5 bilhões de euros, alta de 60%, impulsionado pelo ganho de capital líquido de 1,9 bilhão de euros com a venda do Santander Bank Polska (Polônia) em janeiro.

O Santander Brasil, que lucrou R$ 3,788 bilhões no primeiro semestre, apesar da queda de 7,3% ante o quarto trimestre e de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, graças à valorização do real frente ao dólar e ao euro, teve o segundo melhor desempenho no grupo Santander, com lucro líquido de 542 milhões de euros (15,22% do total) e a segunda maior rede de agências. A matriz espanhola, que concentra o maior volume de negócios e de agências, lucrou 1,286 milhão de euros (36,12% do total).

O desempenho brasileiro pode ser explicado pelas altas taxas de juros e margens operacionais das tarifas, incluindo fundos mútuos, que resultam em alto lucro final, apesar do menor volume de empréstimos e depósitos. Depois de conquistar 1 milhão de clientes digitais no México em 2025, esse será um dos focos no Brasil este ano.

Inadimplência e provisões no Brasil

Na Espanha, o Santander, ao analisar o desempenho da filial brasileira, destacou a “contribuição positiva dos clientes Select, compensada por resultados inferiores do mercado de massa e pela sensibilidade negativa do balanço patrimonial ao aumento das taxas de juros”. “Os custos totais aumentaram 1%, mas caíram 4% em termos reais. As provisões líquidas para perdas com empréstimos diminuíram 3% em euros, refletindo nossa gestão prudente de riscos e a mudança na composição da carteira”.

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Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a matriz reconhece que o lucro antes dos impostos “foi fortemente impactado pela sazonalidade usual no início do ano e por maiores provisões (R$ 6,344 bilhões, +3,9%), dado o cenário de altas taxas de juros”. A inadimplência (atrasos em mais de 90 dias) para pessoas físicas chegou a 4,9% em março, contra 4,6% em dezembro e 4,3% em março do ano passado. Para as empresas, a variação foi de 1,8%, 1,6% e 1,3%, respectivamente, resultando em índices totais de inadimplência de 3,3%, 3,1% e 2,8%.