Bolsa cai 1,19% após EUA rejeitarem proposta do Irã; petróleo sobe
Bolsa cai 1,19% após EUA rejeitarem proposta do Irã

A Bolsa brasileira encerrou o pregão desta segunda-feira (11) com queda de 1,19%, aos 181.908 pontos, influenciada pela rejeição dos Estados Unidos à contraproposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. A negativa aumentou a cautela entre investidores e pressionou ativos de risco em mercados globais.

Impacto do cenário internacional

O dólar comercial teve movimento mais contido, fechando próximo da estabilidade, com leve queda de 0,06%, cotado a R$ 4,892. De acordo com Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a recusa dos EUA reacendeu o temor de inflação global. "O noticiário internacional pesou mais, principalmente porque o avanço do petróleo influenciou o desempenho de companhias ligadas a consumo e transporte", afirmou.

Os preços do petróleo voltaram a subir. O barril Brent, referência mundial, atingiu a máxima de US$ 105,97, alta de 4,62%. Por volta das 17h, a commodity avançava 2,91%, a US$ 104,24. Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, destacou que o mercado reincorporou um prêmio de risco geopolítico que havia sido parcialmente removido. "A rigidez das exigências iranianas sugere que qualquer acordo segue distante, o que tende a manter o Brent em patamares elevados enquanto o impasse persistir", explicou.

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Declarações de Trump

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra. "Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irã. Não gostei - TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump na plataforma Truth Social.

Segundo a imprensa iraniana, Teerã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa. O Irã também teria proposto diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, além de exigir compensação pelos danos causados na guerra. A proposta inicial dos EUA previa a interrupção dos combates antes da abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.

Setor bancário e temporada de balanços

A maior aversão ao risco pressionou o setor bancário brasileiro, com destaque para as ações do BTG Pactual, cujo balanço foi divulgado durante o pregão, e Santander. Os papéis dos bancos caíram 2,88% e 2,52%, respectivamente. As indefinições também repercutiram em Wall Street, onde as Bolsas subiram discretamente. O Dow Jones avançou 0,19%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq avançaram 0,12% e 0,10%, respectivamente, suficientes para renovar recordes de fechamento.

Analistas da Ágora Investimentos destacaram, em relatório, maior cautela no pregão. "O cenário externo mais cauteloso limitou o apetite por risco, reduzindo o fôlego do real e do Ibovespa, ao mesmo tempo em que pressionou a curva de juros".

Impacto misto no Brasil

No Brasil, o impacto da continuidade do conflito é misto. Por um lado, o real e a Bolsa brasileira são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição ao petróleo. Por outro, o aumento das incertezas ligadas ao petróleo pode gerar um movimento global de fuga de ativos voláteis para ativos seguros. Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado vinha esperando a redução das tensões nos últimos pregões. "[Analistas] talvez tenham precificado uma queda relevante do petróleo de maneira muito rápida nos ativos. O mercado não trabalha com a manutenção desses níveis mais elevados. O grande risco é justamente esse cenário não se concretizar, porque ele já está bastante implícito nos preços", afirmou.

Segundo ele, o Brasil, por ser um mercado emergente, acaba sendo considerado um ativo de maior risco. "Assim, uma reescalada do conflito provavelmente significaria dólar em alta, curva de juros no Brasil também para cima e Bolsa para baixo".

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Destaques domésticos

Ainda no cenário doméstico, destaque para a temporada de balanços. Além do BTG, investidores aguardam os resultados da Petrobras no 1º trimestre; as ações preferenciais da empresa fecharam em alta de 1,51%. O pregão também teve a estreia das ações da Compass, companhia de gás e energia da Cosan. É o primeiro IPO (oferta inicial de ações) em quase cinco anos na B3. As ações fecharam em queda de 2,17%, cotadas a R$ 27,39 cada. Na máxima da sessão, os papéis avançaram 1,25%, enquanto, na mínima, chegaram a recuar 3,57%.