O mercado global inicia esta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, sob o peso de uma nova ameaça comercial que pode redesenhar os fluxos de energia mundial. O governo de Donald Trump anunciou a intenção de impor uma tarifa de 25% sobre as importações de países que mantiverem negócios com o Irã, elevando a incerteza sobre o fornecimento global de petróleo. A medida ocorre em meio a uma escalada de tensões no país do Oriente Médio, que já sofre embargos ocidentais ao lado de Rússia e Venezuela.
CPI dos EUA e pressão sobre o Fed dominam a atenção
Enquanto isso, os investidores têm os olhos voltados para os Estados Unidos, que divulgam hoje o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro. Esta é a primeira publicação do dado sem as distorções significativas causadas pelo shutdown da máquina pública americana entre outubro e novembro do ano passado. A expectativa do mercado é de uma alta de 0,3% na comparação com novembro, mantendo a taxa em 12 meses no patamar de 2,7%, acima da meta de 2% ao ano do Federal Reserve (Fed).
No entanto, a força dos dados econômicos é ofuscada pela pressão política. Os investidores ainda digerem a abertura de uma investigação contra o presidente do Fed, Jerome Powell, vista como uma escalada na guerra contra a independência do banco central americano. A próxima reunião de política monetária ocorre na quarta-feira da próxima semana, com ampla expectativa de manutenção das taxas de juros.
Brasil mostra resiliência nos serviços
No cenário doméstico, o destaque é a publicação da Pesquisa Mensal de Serviços de novembro pelo IBGE. O setor, considerado menos vulnerável à Selic de 15% ao ano, surpreende pela resiliência, contrastando com a desaceleração observada na indústria e no comércio. Este dado é crucial para entender a trajetória da economia brasileira diante do cenário de juros elevados.
Refletindo o pessimismo do exterior, o EWZ, fundo que replica as ações brasileiras em Nova York, inicia o dia em queda, acompanhando o tom negativo dos futuros dos índices americanos. A temporada de balanços nos EUA também começa a ganhar força, com a divulgação dos resultados do JP Morgan nesta manhã.
Agenda econômica e política do dia
Além dos dados já mencionados, a agenda deste 13 de janeiro está repleta de eventos relevantes:
- 9h: IBGE publica Pesquisa Mensal de Serviços de novembro.
- 10h15: EUA anunciam pesquisa de emprego privado ADP.
- 10h30: Divulgação do CPI americano de dezembro.
- 12h: Alberto Musalem, do Fed, participa de webinar.
- 15h: Presidente Lula participa de cerimônia de lançamento da plataforma digital da Reforma Tributária.
- 18h: Tom Barkin, do Fed, participa de evento.
O dia, portanto, se desenha como um teste crucial para os mercados, equilibrando tensões geopolíticas que afetam commodities vitais, dados inflacionários decisivos nos EUA e sinais sobre a saúde da economia brasileira. A ameaça tarifária de Trump introduz uma variável de risco imprevisível, com potencial para alterar as rotas do comércio global de petróleo e pressionar ainda mais os preços da commodity.